top of page

JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


As reuniões
Eu publiquei uma crônica sobre a minha ida ao show do The Police em 2007.[1] Ali, eu contei todo o meu desespero para ir (e pavor pelo risco de não conseguir), por ter pensado que nunca mais teria esta oportunidade: eu meio que “sabia” que a chance seria única, que eles nunca mais se reuniriam novamente para uma turnê (estou certo até agora, e o tempo está a meu favor nisso!). É só conhecer a história da banda para saber disso, não é nenhuma grande percepção. Ainda que tenham

Juliano Corrêa
31 de dez. de 2024


Os três pontinhos...
A vida é recheada de mistérios; essa talvez seja uma de suas qualidades mais inerente. Há muito tempo, eu li o sensacional livro de Jonathan Swift, “As viagens de Gulliver” (se você não leu, leia sem receio, não vai se arrepender), que, aliás, não tenho mais, perdeu-se, assim como outros, naquele esquema de emprestar livros (e que nunca voltam...). É uma sátira estupenda sobre a condição humana, eu diria (e escrita em 1726!). Eu fiquei super impressionado ao ver palavras que

Juliano Corrêa
13 de dez. de 2024


As mensagens apagadas
Uma vez, há muitos e muitos anos (quase que numa galáxia muito distante), enviei um e-mail para uma amiga. Era quando o e-mail era uma grande sensação ainda, não existiam as redes sociais e os aplicativos de comunicação mais instantânea (entregando a idade, né!). O problema daquele e-mail foi que... não era para ela! Eu realmente não lembro sobre o que era, nem para quem deveria ter sido encaminhado, só recordo, muito bem, que assim que foi enviado, e eu percebi que tinha sid

Juliano Corrêa
29 de nov. de 2024


A Feira do Livro
Está acontecendo aqui em Porto Alegre a Feira do Livro. Pela 70ª vez! Eu sei que todas as cidades têm uma feira do livro (na verdade, não sei não, não pesquisei, acho, de fato, que não são todas, mas com certeza muitas têm!), mas a de Porto Alegre é diferente. Tudo bem, digo que é diferente pela relação emocional; você também não acha “diferente” coisas da sua aldeia? Em certo sentido, são diferentes mesmo: culturas diversas, histórias distintas, coisa e tal. E talvez tenha u

Juliano Corrêa
15 de nov. de 2024


Acrobata dos sonhos
Eu escrevi, há algum tempo, uma crônica[1] baseada (e modificada) de um texto que havia publicado no Boletim Interno da instituição onde fiz minha formação psicanalítica. Esta crônica aqui vai pelo mesmo caminho, mas é um pouco diferente. Trata-se de uma fala que escrevi para um evento que acontecia (a “Terça Científica”, naquela época estavam chamando alunos em formação para participar e, como eu era muito ativo e exibido, era um alvo fácil), e que fui convidado para falar

Juliano Corrêa
5 de nov. de 2024


Cavalo encilhado
Há um dito, acho que é gaúcho, que diz assim: “um cavalo encilhado não passa duas vezes”. O que isso quer significa? Bom, se você não é daqui do sul (bem do sul), pode estar se perguntando: “mas que porra é essa de encilhado???”. Aí, eu, um ignorante da cultura gauchesca, explico: encilhar é colocar a cinta no cavalo para poder cavalgar ou levar alguma carga. Se você, por azar meu, é um riograndense raiz e está de olhos arregalados pelo o que eu acabei de escrever, calma, por

Juliano Corrêa
15 de out. de 2024


As quatro notas
Uma vez, estava falando para o meu analista sobre um tipo de encruzilhada que eu me encontrava. Tinha a ver com a produção da minha tese: eu estava meio perdido, sem saber exatamente por onde ir, que tom usar, etc. A sensação era que eu precisava de algo novo que me desse rumo novamente, pois eu me sentia sem nenhum. Então, ele disse mais ou menos assim: “você tem que encontrar as suas quatro notas”. Parece estranho, né? Mas foi uma intervenção muito importante, tinha relação

Juliano Corrêa
24 de set. de 2024


Não era o planejado
The Godfather, “O Poderoso Chefão” para nós, é uma obra-prima do cinema. Dirigido por Francis Ford Coppola, que também assina o roteiro juntamente com Mario Puzo (que escreveu o livro que inspirou o filme, e que também roteirizou os dois primeiros filmes do Super-Homem, ou seja, é o meu herói pessoal!), e a sublime trilha sonora de Nino Rota, além de um elenco recheado de talentos, é uma trilogia de, acho que poderia se dizer, uma tragédia familiar. Claro, essa família é da m

Juliano Corrêa
13 de set. de 2024


O colorido da vida
Eu andei lembrando de algumas coisas que se conectaram. Anos atrás, eu tive a oportunidade de participar da elaboração de um trabalho terrível. O “terrível” aqui tem de ser explicado: ele era ótimo, mas difícil até de ler por causa da extremidade das dores envolvidas (no fim, era mesmo o objetivo inicial da autora!). Era sobre luto, mas um luto diferente, que é a perda de um filho. Mais ainda, era sobre o luto da perda de um filho na qual os próprios pais estavam envolvidos

Juliano Corrêa
7 de set. de 2024


O trabalho sobre música que ninguém escreveu
Bom, esclarecimentos iniciais: em primeiro lugar, eu realmente não sei se, de fato, esse trabalho nunca foi escrito. Eu, ao menos, nuca vi ou ouvi falar, mas minha procura não foi profunda, na verdade, eu mal procurei (inclusive, se você, por acaso, souber que esse trabalho existe, por favor me avise!). Em segundo lugar, é óbvio que eu não estou (agora pelo menos...) escrevendo esse trabalho, eu estou só lamentando ele não existir (ou eu nunca ter visto). Há pouco tempo, rec

Juliano Corrêa
31 de ago. de 2024


Os virtuoses
Eu toco violão. Isso tem de ser explicado. Eu tenho um ótimo e lindo violão que eu amo, cuido, mas não sou músico. Uma vez, num barzinho maravilhoso de rock no Flamengo, o Lado B, um dos poucos que existem aqui no Rio de Janeiro, aconteceu uma coisa curiosa (quando me mudei pra cá, eu tinha uma fantasia, acho que baseada na explosão do rock nacional da década de 1980, de que o Rio era uma cidade “muito rock”; não é. Nem um pouco. Nesse quesito, Porto Alegre é muito melhor). A

Juliano Corrêa
24 de ago. de 2024


A volta de Janis Joplin
Janis Joplin nasceu e cresceu numa cidadezinha do Texas, nos Estados Unidos, chamada Port Arthur, que tinha (e se mantém assim) uma média de quase 60 mil habitantes. Janis Joplin, se você não lembra, foi uma das maiores artistas que já existiu, dona de uma voz incomparável, de uma potência e emoção inigualáveis, e símbolo de toda uma geração. Faz parte daquele mórbido “grupo dos 27”: grandes talentos que morreram com 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2024


Dinossauros de volta?
Já faz um tempinho, um amigo especial me indicou a série documental (muito boa!) de três episódios, “Desastre total: Woodstock 99”, disponível na Netflix. O título é autoexplicativo: foi uma ideia de reeditar o clássico festival de 1969 na celebração dos seus 30 anos, e foi sim um desastre total, considerado por muitos o pior festival de música da história. Eu gostei bastante (do documentário né). Mostra tudo muito bem, através de entrevistas com pessoas envolvidas, público

Juliano Corrêa
19 de jul. de 2024


Perdas (sem danos?)
Uma vez, um amigo me disse, quando sua mulher estava grávida, que eles estavam evitando contar para as pessoas por um motivo principal: não estressar a mãe estreante com notícias de perdas na primeira gravidez. Eu nunca havia me dado conta, mas é verdade: é só dizer que está grávida, e tem algum infeliz que conta da fulana que perdeu o primeiro bebê (quando não é a própria que diz isso). Que falta de noção, né! Não tem nada melhorzinho para falar numa hora dessas? Que costume

Juliano Corrêa
5 de jul. de 2024


Interpretação selvagem
Freud escreveu, em 1910, um pequeno texto muito importante intitulado “Psicanálise selvagem”. Não é dos escritos mais famosos e citados do pai da psicanálise, mas eu sempre o considerei muito significativo: trata de técnica, ética e política. E mais ainda nos dias de hoje, onde basicamente qualquer um se denomina “psicanalista” e oferece “psicanálise” (as aspas são muito propositais). Pois Freud fala, justamente, dos charlatões (ou seja, desde sempre eles já existiam!), pess

Juliano Corrêa
21 de jun. de 2024


Eu odeio Bon Jovi (Nevermind...)
Como parece ter virado um costume meu (deve ser tentativa de viralizar isso, né!), este título é enganoso. Você que talvez seja fãzoca de Bon Jovi e cante a plenos pulmões “Living On A Prayer”, pode estar pensando: “ufa, que alívio! Você não odeia Bon Jovi”. Então, não é bem assim também. É que eu, até como um tipo de marca minha, costumava falar aos quatro ventos que o odiava. O motivo era duplo: o primeiro, meio pré-consciente, é que eu sabia a quantidade de pessoas que ama

Juliano Corrêa
14 de jun. de 2024


A felicidade
Quando eu dava aula, tinha uma mania que aplicava em quase todas as provas. Essa coisa das avaliações era o pior para mim: elaborar algo para “provar” o conhecimento da aluna objetivamente de algo como a psicanálise, que se apreende via inconsciente! Uma insanidade. Mas eu era obrigado. Então, eu tentava fazer algumas coisas diferentes, como uma questão extra para analisarem a epígrafe da prova (eu sempre colocava epígrafe). Outra coisa que comecei a fazer com frequência a pa

Juliano Corrêa
31 de mai. de 2024


A prótese
Você sabe o que é uma prótese, né? Colando do Wikipedia, vem do grego antigo próthesis (professor Cláudio Moreno, com quem tive aula de português no cursinho pré-vestibular, poderia dar grande ajuda aqui), que significa “adição”, “aplicação”, “acessório”. É um algo artificial que visa suprir necessidades e funções dos indivíduos, tanto internas como externas. Há uma diferença entre prótese e implante: a prótese substitui uma parte do organismo; já o implante, acrescenta volum

Juliano Corrêa
24 de mai. de 2024


Choveu...
Choveu. Eu sempre gostei da chuva. Inclusive, algo que a maioria parece não gostar, de sair: sempre adorei sair em noites de chuva (tenho muitas lembranças), sei lá, coisa minha. Contudo, eu também gosto dos dias de chuva para ficar em casa. Fazer pipoca, qualquer comida gostosa (sopa de capeletti?), beber vinho talvez, ver um filme... Enfim, há uma infinidade coisas boas para se fazer com a chuva.... Mas choveu demais. Muito demais. Só que o problema não foi a chuva! Há ano

Juliano Corrêa
18 de mai. de 2024


Lembranças
Há pouco tempo, eu estive envolvido (por vários dias...) em uma tarefa de limpeza. Não a faxina da casa: limpeza das tralhas que a gente guarda. Talvez você seja uma daquelas pessoas que não guarda nada, de modo que nunca teve de fazer isso, então esta crônica não fará o menor sentido para você. Pule esta, escolha alguma outra. Agora, se você também guarda coisas e num futuro qualquer se depara com elas novamente, talvez possa haver alguma identificação aqui. Há uma diferenç

Juliano Corrêa
19 de abr. de 2024
bottom of page