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JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


Noites, estradas e estrelas
Vou falar apoiado em um tema que não me convém: a pintura. Eu não entendo nada de artes plásticas e nunca tive interesse nelas. É claro que existem exceções: há obras que eu gosto, acho belas, ainda que não me causem a afetação emocional que, por exemplo, uma música ou um livro podem me causar. Dentre essas poucas exceções, está Vincent van Gogh. Seus quadros produzem algo forte em mim (como não tenho conhecimento técnico, não sei dizer o que é, mas talvez não precise, pois n

Juliano Corrêa
29 de mai.


O instante eterno
Alice perguntou para o coelho: “quanto tempo dura o eterno”; o coelho respondeu: “às vezes, apenas um segundo”. Há uma grande chance de você já ter lido (e se encantado, assim como eu!) essa passagem de “Alice no País das Maravilhas”. Eu não quero ser um destruidor de ilusões, mas esse diálogo simplesmente... nunca aconteceu. Lewis Carroll nunca escreveu esse trecho em nenhum dos dois livros da Alice (se existe em algum filme mais recente, eu não sei, mas aí tu estás exigindo

Juliano Corrêa
19 de dez. de 2025


Quanto tempo passou?
Não faz muito tempo, contei determinada situação para uma pessoa especial. Era uma história na qual eu reclamava a demora para um acontecimento, mesmo que este fosse inesperado. Ela objetou: “mas não foi tanto tempo assim”. Eu não respondi; talvez por ela ser especial, mas principalmente porque meu pensamento é lento: tendo a pensar as coisas a posteriori, o que já é interessante para o tema desta crônica, pois remete ao conceito psicanalítico da temporalidade (mas não vamos

Juliano Corrêa
21 de fev. de 2025


Cavalo encilhado
Há um dito, acho que é gaúcho, que diz assim: “um cavalo encilhado não passa duas vezes”. O que isso quer significa? Bom, se você não é daqui do sul (bem do sul), pode estar se perguntando: “mas que porra é essa de encilhado???”. Aí, eu, um ignorante da cultura gauchesca, explico: encilhar é colocar a cinta no cavalo para poder cavalgar ou levar alguma carga. Se você, por azar meu, é um riograndense raiz e está de olhos arregalados pelo o que eu acabei de escrever, calma, por

Juliano Corrêa
15 de out. de 2024


Não era o planejado
The Godfather, “O Poderoso Chefão” para nós, é uma obra-prima do cinema. Dirigido por Francis Ford Coppola, que também assina o roteiro juntamente com Mario Puzo (que escreveu o livro que inspirou o filme, e que também roteirizou os dois primeiros filmes do Super-Homem, ou seja, é o meu herói pessoal!), e a sublime trilha sonora de Nino Rota, além de um elenco recheado de talentos, é uma trilogia de, acho que poderia se dizer, uma tragédia familiar. Claro, essa família é da m

Juliano Corrêa
13 de set. de 2024


A volta de Janis Joplin
Janis Joplin nasceu e cresceu numa cidadezinha do Texas, nos Estados Unidos, chamada Port Arthur, que tinha (e se mantém assim) uma média de quase 60 mil habitantes. Janis Joplin, se você não lembra, foi uma das maiores artistas que já existiu, dona de uma voz incomparável, de uma potência e emoção inigualáveis, e símbolo de toda uma geração. Faz parte daquele mórbido “grupo dos 27”: grandes talentos que morreram com 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2024


Perdas (sem danos?)
Uma vez, um amigo me disse, quando sua mulher estava grávida, que eles estavam evitando contar para as pessoas por um motivo principal: não estressar a mãe estreante com notícias de perdas na primeira gravidez. Eu nunca havia me dado conta, mas é verdade: é só dizer que está grávida, e tem algum infeliz que conta da fulana que perdeu o primeiro bebê (quando não é a própria que diz isso). Que falta de noção, né! Não tem nada melhorzinho para falar numa hora dessas? Que costume

Juliano Corrêa
5 de jul. de 2024


Interpretação selvagem
Freud escreveu, em 1910, um pequeno texto muito importante intitulado “Psicanálise selvagem”. Não é dos escritos mais famosos e citados do pai da psicanálise, mas eu sempre o considerei muito significativo: trata de técnica, ética e política. E mais ainda nos dias de hoje, onde basicamente qualquer um se denomina “psicanalista” e oferece “psicanálise” (as aspas são muito propositais). Pois Freud fala, justamente, dos charlatões (ou seja, desde sempre eles já existiam!), pess

Juliano Corrêa
21 de jun. de 2024


As datas
Eu acho que todos temos, talvez você também, alguma relação especial com datas comemorativas. Raro ter isentos de verdade quanto a isso. Eu já conheci e convivi com gente de tudo que é tipo. Pessoas que amam seu aniversário, e outras que se escondem; as que renovam sua vida no Ano-Novo, e as que acham uma besteira; as que encaram o Natal como momento de união familiar, e as que somente enxergam uma grande festa do consumismo sem nenhum sentido. Por aí vai. Existem muitas out

Juliano Corrêa
15 de dez. de 2023


A espera
“Estou apaixonado? – Sim, pois espero. O outro não espera nunca. Às vezes quero representar aquele que não espera: tento me ocupar em outro lugar, chego atrasado; mas neste jogo perco sempre: o que quer que eu faça, acabo sempre sem ter o que fazer, pontual, até mesmo adiantado. A identidade fatal do enamoramento não é outra senão: sou aquele que espera”. (Foi assim que eu comecei este texto, “A espera”, publicado em 2006 (veja só...) no Boletim Informativo do CEP (onde fiz

Juliano Corrêa
29 de set. de 2023


A REGRESSÃO
Primeiro texto publicado do braço do tempo para o projeto de estudar a possibilidade do acaso na psicanálise.

Juliano Corrêa
5 de set. de 2023


PSICANÁLISE ONTOLÓGICA E ACASO - um prelúdio
Um tipo de apresentação geral para o estudo que vamos desenvolver sobre a possibilidade do acaso na psicanálise.

Juliano Corrêa
18 de jul. de 2023


A TRANSITORIEDADE E O FUTURO
Uma pequena reflexão sobre o texto de Freud “A Transitoriedade”, que é uma ferramenta valiosa para pensarmos o tempo na psicanálise.

Juliano Corrêa
1 de mai. de 2023
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