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JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


O instante eterno
Alice perguntou para o coelho: “quanto tempo dura o eterno”; o coelho respondeu: “às vezes, apenas um segundo”. Há uma grande chance de você já ter lido (e se encantado, assim como eu!) essa passagem de “Alice no País das Maravilhas”. Eu não quero ser um destruidor de ilusões, mas esse diálogo simplesmente... nunca aconteceu. Lewis Carroll nunca escreveu esse trecho em nenhum dos dois livros da Alice (se existe em algum filme mais recente, eu não sei, mas aí tu estás exigindo

Juliano Corrêa
19 de dez. de 2025


Invisíveis
Eu estava na metade do curso de psicologia quando iniciei meu primeiro tratamento psicológico. Digo “o primeiro” porque outros vieram depois: Freud mesmo dizia que todo o psicanalista deveria, de tempos em tempos, retornar ao tratamento para uma “reciclagem”. Mas este que estou me referindo foi com uma psicóloga que não era psicanalista. Até hoje não sei o que ela era (se “era” alguma coisa nesse sentido de linha teórica). Engraçado que, mesmo na época (estudantes de psicolog

Juliano Corrêa
22 de nov. de 2025


Paris... mas no Texas
Eu sou faísca atrasada para muitas coisas; para quase tudo, na verdade. Se eu estiver tendo um debate com você, pode ter certeza que daqui a três dias (para ser muito generoso comigo mesmo) eu terei um ótimo argumento! É um inferno não ter a presença de espírito para reagir no instante exato. Então, se você já teve alguma discussão comigo, não retome o tema anos depois, pois aí se prepare, você vai ver só! Consequentemente, há muitas obras clássicas que eu não vi, não li, nã

Juliano Corrêa
31 de out. de 2025


O monumento musical
Crianças, pequena lição de história. Antes, pequeno parêntesis: você sabe né que quando alguém chama pessoas adultas de “crianças”, é porque é velho e quer inverter o jogo! Eu sou velho, e não estou querendo ignorar isso, é só brincadeira. Mas a lição é verdadeira e válida! É a seguinte: quando gente da minha geração tinha seus vintes anos, pesquisávamos, obviamente, para fazer os trabalhos acadêmicos (e gente mais velha ainda fazia essas pesquisas para teses de doutorado! S

Juliano Corrêa
17 de out. de 2025


Gente ruim (o golpe)
Gente ruim e, por consequência, golpes sempre existiram. Assim como as coisas boas, vão evoluindo conforme novas ferramentas vão surgindo. Hoje em dia, há uma profusão de golpes virtuais obviamente; também são abundantes os avisos para nos protegermos. Algumas artimanhas são muito bem elaboradas mesmo; outras, nem tanto. São com essas últimas que eu sempre me irritei. Até recentemente, quando uma notícia de jornal fez eu perceber algo claro (e que eu já sabia). Uma vez eu vi

Juliano Corrêa
3 de out. de 2025


Os limites do corpo
“Amadeus”, do genial cineasta Milos Forman, é um dos melhores filmes que eu vi na vida. Conta a história de Mozart e a relação/rivalidade que Antonio Salieri tinha com ele. Salieri era o compositor da corte de José II, arquiduque da Áustria, foi bem famoso em sua época. Parecia satisfeito com a sua vida até o aparecimento de Mozart gerar uma inveja doentia que conduz os acontecimentos do filme. Essa história é fictícia: deriva das peças de teatro de Alexander Pushkin e de Pet

Juliano Corrêa
26 de set. de 2025


A época insana
Eu já fui aconselhado, e aposto todas as minhas fichas que você também já foi, a não fazer algo ou tomar determinada decisão de “cabeça quente”, no “calor do momento”, a deixar “a poeira baixar”, isto é, a pensar com mais calma para, daí sim, agir da maneira que fosse. É um conselho delicado, não acha? Há um texto de 1912, “Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise”, que é delicioso (e essencial!) como todos os do grupo de “Artigos sobre técnica”[1], no qual Freud,

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2025


Eternamente responsável
Há tempos eu penso em escrever uma crônica sobre O Pequeno Príncipe; esta provavelmente não será a única. Em várias outras, como em uma recente,[1] eu acabo escorregando, às vezes sem querer mesmo, em outras, propositalmente, para alguma metáfora que me leva ao livro. Ele é de uma riqueza extraordinária, sem fim. Eu já falei que costumava fazer as alunas lerem livros para fazerem trabalho nas aulas de psicanálise (e de ética também!). Era assim: ler o livro (obviamente) e es

Juliano Corrêa
12 de jul. de 2025


Zona de conforto... essa grande besteira
Esses dias, aleatoriamente, lembrei de uma cena de The Big Bang Theory onde Sheldon, o físico teórico, personagem principal da série,...

Juliano Corrêa
4 de jul. de 2025


Protocolo Jordan
Você conhece (ou, ao menos, já ouviu falar de!), com certeza, Michael Jordan. Não precisa gostar de basquete. Assim como não precisa acompanhar futebol para saber quem foi Pelé, curtir boxe para saber de Muhammad Ali, entender de física para já ter ouvido falar de Albert Einstein. Jordan está nesse patamar: pessoas que, devido aos seus dons e feitos especiais, transcendem sua área de atuação. Michael Jordan está na história como um dos maiores esportistas de todos os tempos,

Juliano Corrêa
6 de jun. de 2025


Saudade do futuro
Eu juro que meu primeiro impulso foi colocar o título desta crônica de “Saudade do que não foi”. Mas aí... foi inevitável eu lembrar do Neymar e daquela mensagem dele que virou meme, “saudades do que a gente não viveu”, algo assim. Ficou impossível pra mim. Ainda que o “menino Ney” tenha razão (em alguma coisa ele tinha de ter, né!). A ideia é bem essa. O título que ficou não é exatamente do que se trata, porque não é bem de uma saudade do futuro, é outra saudade, mais comple

Juliano Corrêa
2 de mai. de 2025


Corolário
Eu publiquei aqui uma crônica sobre o Nirvana, mais especificamente sobre a especialidade do disco Nevermind e a minha (triste não) relação com ele na época.[1] Em um momento, talvez para falar da minha reação a ouvir inteiro e com atenção, depois de tantos anos, aquele disco tão importante e extraordinário, usei a palavra estupefato. Chamou a minha atenção. Estupefato. É que eu não gosto nem um pouco de usar palavras, digamos, diferentes, que não são usuais da fala, que faz

Juliano Corrêa
18 de abr. de 2025


As continuações...
Quando eu assisti ao filme Um Lugar Silencioso – parte II, animei para escrever esta crônica. Eu não gostei. Ainda que não tenha achado o filme ruim! Não, eu achei um ótimo filme. Como, então, que eu não gostei? É que, como toda a sequência, eu fui com a expectativa criada pelo primeiro filme, que é magnífico porque é uma experiência diferente, inovadora. Seu sucessor é um excelente filme de ação e suspense, mas comum, com clichês, coisas que já vimos. Justamente eu não gost

Juliano Corrêa
4 de abr. de 2025


A biblioteca
Eu sei que já falei disso.[1] No entanto, se é a primeira vez que você me lê, também é novo para você. Na verdade, toda a repetição é novidade, e o que nos apaixona acaba sempre nos trazendo de volta, pelo menos enquanto estiver apaixonando... No meu caso, esta paixão que vou falar não vai mais embora, já está muito bem estabelecida nas minhas entranhas. Eu gosto de bibliotecas. Bastante! Na adolescência, ia, por vontade própria, pesquisar e alugar livros que me interessavam

Juliano Corrêa
21 de mar. de 2025


Quanto tempo passou?
Não faz muito tempo, contei determinada situação para uma pessoa especial. Era uma história na qual eu reclamava a demora para um acontecimento, mesmo que este fosse inesperado. Ela objetou: “mas não foi tanto tempo assim”. Eu não respondi; talvez por ela ser especial, mas principalmente porque meu pensamento é lento: tendo a pensar as coisas a posteriori, o que já é interessante para o tema desta crônica, pois remete ao conceito psicanalítico da temporalidade (mas não vamos

Juliano Corrêa
21 de fev. de 2025


O fim da história
Há um episódio da ótima série de comédia The Big Bang Theory, no qual Amy diz para seu namorado, o genial e maluco Sheldon, que ele tem um problema com closure, ou seja, ele não consegue deixar as coisas sem um encerramento. Passam-se, então, várias cenas muito engraçadas nas quais ela tenta reprogramar seu cérebro, colocando-o em situações que ele fica impossibilitado de encerrar determinadas tarefas. Obviamente, sua tentativa não é bem sucedida. Eu revi esse episódio dias d

Juliano Corrêa
7 de fev. de 2025


Verdade sem amor
Cazuza cantava: “mentiras sinceras me interessam”. Também interessavam “raspas e restos”, “migalhas dormidas (do teu pão)”, “pequenas porções de ilusão”. Claro, fazia parte do contexto da clássica canção (e eu diria também da época) do Barão Vermelho “Maior Abandonado”. Mas eu não estou nem um pouco interessado em mentiras (mesmo as sinceras) agora. Por mais que as mentiras, ainda mais as sinceras, tenham uma vantagem paradoxal: elas não enganam. Como assim? Não são para enga

Juliano Corrêa
24 de jan. de 2025
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