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JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


As datas
Eu acho que todos temos, talvez você também, alguma relação especial com datas comemorativas. Raro ter isentos de verdade quanto a isso. Eu já conheci e convivi com gente de tudo que é tipo. Pessoas que amam seu aniversário, e outras que se escondem; as que renovam sua vida no Ano-Novo, e as que acham uma besteira; as que encaram o Natal como momento de união familiar, e as que somente enxergam uma grande festa do consumismo sem nenhum sentido. Por aí vai. Existem muitas out

Juliano Corrêa
15 de dez. de 2023


As frases maravilhosas
Alguns escritores têm a sensacional capacidade de abrirem seus textos com frases maravilhosas. Às vezes, até no título! Eu lembro de três livros que eu li exclusivamente por causa do título. “Sonho de uma noite de verão” foi a primeira peça de Shakespeare que li. É boa (não considero das suas melhores), mas o título... Só ele para mim já vale, desperta tanta coisa, traz e cria tantas memórias e sensações em mim... eu fico fascinado de alguém conseguir inventar um título desse

Juliano Corrêa
8 de dez. de 2023


O lugar que se amou
Eu adoro memes. É sério. Gosto muito! Não só, claro: também procuro o que me interessa e me mantenho informado através da internet. Eu também fico sempre muito desconfiado, como todos nós devemos ficar, não só com notícias, mas quando vejo alguma citação ou situação contada. Será que é isso mesmo? Sempre temos de conferir: é impressionante, ainda hoje, que pessoas engulam, sem nem engasgar, qualquer coisa que veem ou recebem pelas mídias sociais. Espero que você não seja uma

Juliano Corrêa
1 de dez. de 2023


O comum
Se você me acompanha um pouco, sabe que eu sempre coloco fotos e músicas associadas ao que escrevo (às vezes, só no Instagram, geralmente está aqui também – eu não coloco imagem nos textos psicanalíticos aqui... afinal, o que é a vida sem algumas manias, né? Mas é para diferenciar também). Tanto as fotos como as canções, são todas pessoais: de alguma forma, elas têm alguma relação com o que escrevi, mesmo que seja sutil e que seja (sempre) só para mim. Não tenho o menor inter

Juliano Corrêa
10 de nov. de 2023


O texto vivo
Há pouco, eu publiquei uma crônica[1] na qual, bem no início, por causa de uma simples mudança do título inicial que eu havia pensando, comentei como era interessante a sensação de que um texto vai assumindo vida própria, modificando-se e tomando seus próprios rumos, alheio à nossa vontade e/ou planejamento, como se se produzisse por si só. Isso não é, por certo, nenhuma novidade, eu mesmo já ouvi várias vezes escritores falando, cada um a sua maneira, desse tipo de coisa. Eu

Juliano Corrêa
27 de out. de 2023


O desastre de não ser encontrado
Winnicott é realmente espetacular. Há um artigo maravilhoso e muito importante de sua obra, de 1963, “Comunicando e não comunicando levando ao estudo de certos opostos” (fiz uma tradução própria – e tosca, mas com sentido – por não achar a “oficial” boa – note a petulância...), está no livro “O ambiente (facilitador) e os processos de maturação. Existem belas e profundas análises sobre este texto, como a do professor Fábio Belo e, principalmente, a de Thomas Ogden em seu mais

Juliano Corrêa
13 de out. de 2023


"Mas sozinho... é sozinho..."
“História de um casamento” (“Marriage Sory”), filme de 2019, dirigido, produzido e roteirizado por Noah Baumbach, estrelado lindamente por Scarlett Johansson, Adam Driver e Laura Dern, foi um dos melhores filmes que eu vi nos últimos anos. Profundo, sensível, forte, necessário, tudo no ponto certo através de atuações maravilhosas (“só” Laura Dern ganhou o Oscar pela magnífica advogada que interpreta, mas Johansson e Driver foram indicados, assim como o filme também foi para m

Juliano Corrêa
6 de out. de 2023


A espera
“Estou apaixonado? – Sim, pois espero. O outro não espera nunca. Às vezes quero representar aquele que não espera: tento me ocupar em outro lugar, chego atrasado; mas neste jogo perco sempre: o que quer que eu faça, acabo sempre sem ter o que fazer, pontual, até mesmo adiantado. A identidade fatal do enamoramento não é outra senão: sou aquele que espera”. (Foi assim que eu comecei este texto, “A espera”, publicado em 2006 (veja só...) no Boletim Informativo do CEP (onde fiz

Juliano Corrêa
29 de set. de 2023


Encontrando um analista
Não, é claro que isto aqui não é nenhum guia sobre como encontrar o profissional ou mesmo a psicoterapia perfeita; tal coisa não existe: nem o perfeito, nem o guia. Tanto que o título original desta crônica era “como encontrar um terapeuta?”, mas achei que dava mais ainda a impressão de manual, e tenho o costume de fazer títulos que dão a ideia errada do texto (e é muito interessante como um escrito vai se criando/modificando no que vai sendo produzido, como se tomasse vida p

Juliano Corrêa
15 de set. de 2023


A cidade e o escritor
Eu realmente não lembro do nome (e nem da história!) de um filme que vi uma vez, há tempos, mas uma cena nunca me saiu da memória (foi só esta cena que vi, na verdade, talvez por isso eu não lembre de nada!): um escritor jovem, lutando contra as dificuldades de escrever, trava um diálogo com um escritor mais experiente e (parecia ser) seu mentor. O mais velho aconselha o mais novo a investir nas angústias contraditórias que sente em relação a cidade onde nasceu (e vivia?), po

Juliano Corrêa
1 de set. de 2023


O que é uma boa sessão de análise?
Como outros, este é um daqueles textos que o título é uma pergunta, mas esta não será respondida. Não deveria ter dito isso assim, logo de início, né? Pois é, tenho de trabalhar melhor o marketing... O que me levou a escrever esta crônica foi um pensamento aleatório que me ocorreu frente a algo que já ouvi muitas vezes: a pessoa dizer, geralmente no fim da sessão, que a achou ruim (isso, quase sempre, mais no sentido de ter sido ruim para mim, por a pessoa estar se achando c

Juliano Corrêa
18 de ago. de 2023


O bebê
Todos nós já tivemos dias ruins. Eu mesmo já tive vários! Sinto-me mal em falar do que irei. Não é pela exposição, importava-me muito mais com isso quando era mais novo. É porque “vozes na minha cabeça” estão dizendo: “tu estás falando de um dia ruim vivendo na zona sul e indo na praia, quando pessoas estão morrendo de fome (e de outras coisas), sofrendo para valer, ralando o cú para trabalhar (e isso se conseguirem um trabalho), etc.”. E eu concordo com as vozes. Concordo mu

Juliano Corrêa
11 de ago. de 2023


A primeira vez
Para mentes poluídas, este título talvez possa dar a ideia errada. Mas se você chegou aqui por causa disso, não desista, siga: talvez você goste. Eu era muito ativo no CEP de Porto Alegre, onde fiz minha formação psicanalítica. Dentre outras coisas, eu participava de comissões da instituição, dentre as quais, a comissão científica (acho que era esse o nome), que criava os congressos e eventos científicos (por isso mesmo o nome!), mas também além. Nós tínhamos a “Sexta-feira

Juliano Corrêa
4 de ago. de 2023


A noite mais feliz da minha vida
Quem me lê, sabe que sou dramático; também sabe da minha questão com títulos, de querer criar bonitos, querer impactar, e nem sempre serem exatos ao que eu escrevo, pois podem ser um exagero. Este é mais um caso desses: tenho alguma dúvida se foi a noite mais feliz... mas é uma principal concorrente. The Police, banda formada por Sting (vocal e baixo), Andy Summers (guitarra) e Stewart Copeland (bateria), surgiu em 1977, em pleno no “movimento” punk, ainda que eles fossem mu

Juliano Corrêa
28 de jul. de 2023


Por que fazer análise?
Por que se analisar? Por que procurar uma pessoa (de confiança) para fazer psicoterapia? Pode ser uma pergunta sem sentido aparente, mas eu acho que existem elementos importantes a se pensar sobre isso. Em uma das minhas primeiras aulas na faculdade, uma colega perguntou para a professora se seria interessante para nós, agora estudantes de psicologia, iniciarmos um tratamento psicoterapêutico. Ela respondeu que todo mundo deveria se tratar, no sentido de que a psicoterapia t

Juliano Corrêa
7 de jul. de 2023


Winnicott, o sucinto
Esta crônica é só para falar do meu assombro e imenso prazer ao ler Winnicott. A simplicidade é insuperável. Ser sucinto e ser consistente, dizer algo de fato em pouco tempo e espaço. Eu tenho enormes dificuldades nisso, preciso de muito espaço para desenvolver uma ideia (e que, por muitas vezes, nem é interessante!), então, repito demais, reafirmo, falo de outro jeito. Estes textos curtos que publico aqui são um verdadeiro desafio para mim (eu os considero curtos, podem hav

Juliano Corrêa
30 de jun. de 2023


Fotografias da alma
Antes de qualquer coisa: adoro títulos bonitos/marcantes, mas nunca fui capaz de os criar; contudo, continuo tentando. Aqui de novo. Neste caso, pode ser desastroso: alma dá uma ideia mais espiritual, e isso não pode estar mais longe do que quero falar. Eu estou pensando no sentido do “aparato anímico” de Freud, Seelenapparat. “Alma” (Seele) não tem essa acepção mais mística e espiritual em alemão como tem em português (então, vai escrever em alemão né!). O que eu tenho em me

Juliano Corrêa
23 de jun. de 2023


As notas de rodapé - e a transmissão do conhecimento
Eu sou um fã declarado de notas de rodapé. Não é por uma questão estética, de achar bonito, nem tenho opinião formada sobre isso. É por uma razão que eu acho muito importante, e que leva para outros questionamentos que também julgo tão importantes quanto. O meu “fascínio” pelas notas de rodapé começou há tempos, por causa do meu orientador de mestrado, Dr. Nedio Seminotti, uma pessoa admirável. E ele tinha argumentos para esta indicação que fazia. Aqui já fica situada uma di

Juliano Corrêa
16 de jun. de 2023


A escolha pelo curso de psicologia
Eu sempre achei (e ainda acho) a escolha pelo curso universitário (para os poucos que podem ter essa escolha) cruel; o sujeito mal está formado como pessoa e tem de escolher a profissão para o resto da vida! Sei que não é assim, pode-se desistir, fazer outro curso, fazer qualquer tipo de coisa. Mas quando se está com 17 anos (meu caso) é sim uma decisão muito drástica. Eu não tive, de fato, muitas dúvidas. Quando estava na 8ª série do colégio, pensava em fazer administração

Juliano Corrêa
9 de jun. de 2023


A morte de uma cidade
Uber/táxi é a morte de uma cidade. Eu sou (sempre fui) dramático (o que é diferente de fazer drama, algo que minha análise “consertou” muitos anos atrás), então, tenho de explicar esta frase que é, sim, dramática. Ah, e só para esclarecer: achei o Uber uma bela invenção, utilizo-me muito, assim como, ainda hoje também, do táxi; desta forma, tirando questões mais detalhadas, nada contra nenhum dos dois. Afinal, este texto não é sobre eles exatamente. Eu gosto de viajar; para

Juliano Corrêa
2 de jun. de 2023
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