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JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


Protocolo Jordan
Você conhece (ou, ao menos, já ouviu falar de!), com certeza, Michael Jordan. Não precisa gostar de basquete. Assim como não precisa acompanhar futebol para saber quem foi Pelé, curtir boxe para saber de Muhammad Ali, entender de física para já ter ouvido falar de Albert Einstein. Jordan está nesse patamar: pessoas que, devido aos seus dons e feitos especiais, transcendem sua área de atuação. Michael Jordan está na história como um dos maiores esportistas de todos os tempos,

Juliano Corrêa
6 de jun. de 2025


Quanto tempo passou?
Não faz muito tempo, contei determinada situação para uma pessoa especial. Era uma história na qual eu reclamava a demora para um acontecimento, mesmo que este fosse inesperado. Ela objetou: “mas não foi tanto tempo assim”. Eu não respondi; talvez por ela ser especial, mas principalmente porque meu pensamento é lento: tendo a pensar as coisas a posteriori, o que já é interessante para o tema desta crônica, pois remete ao conceito psicanalítico da temporalidade (mas não vamos

Juliano Corrêa
21 de fev. de 2025


O fim da história
Há um episódio da ótima série de comédia The Big Bang Theory, no qual Amy diz para seu namorado, o genial e maluco Sheldon, que ele tem um problema com closure, ou seja, ele não consegue deixar as coisas sem um encerramento. Passam-se, então, várias cenas muito engraçadas nas quais ela tenta reprogramar seu cérebro, colocando-o em situações que ele fica impossibilitado de encerrar determinadas tarefas. Obviamente, sua tentativa não é bem sucedida. Eu revi esse episódio dias d

Juliano Corrêa
7 de fev. de 2025


Verdade sem amor
Cazuza cantava: “mentiras sinceras me interessam”. Também interessavam “raspas e restos”, “migalhas dormidas (do teu pão)”, “pequenas porções de ilusão”. Claro, fazia parte do contexto da clássica canção (e eu diria também da época) do Barão Vermelho “Maior Abandonado”. Mas eu não estou nem um pouco interessado em mentiras (mesmo as sinceras) agora. Por mais que as mentiras, ainda mais as sinceras, tenham uma vantagem paradoxal: elas não enganam. Como assim? Não são para enga

Juliano Corrêa
24 de jan. de 2025


Não era o planejado
The Godfather, “O Poderoso Chefão” para nós, é uma obra-prima do cinema. Dirigido por Francis Ford Coppola, que também assina o roteiro juntamente com Mario Puzo (que escreveu o livro que inspirou o filme, e que também roteirizou os dois primeiros filmes do Super-Homem, ou seja, é o meu herói pessoal!), e a sublime trilha sonora de Nino Rota, além de um elenco recheado de talentos, é uma trilogia de, acho que poderia se dizer, uma tragédia familiar. Claro, essa família é da m

Juliano Corrêa
13 de set. de 2024


O colorido da vida
Eu andei lembrando de algumas coisas que se conectaram. Anos atrás, eu tive a oportunidade de participar da elaboração de um trabalho terrível. O “terrível” aqui tem de ser explicado: ele era ótimo, mas difícil até de ler por causa da extremidade das dores envolvidas (no fim, era mesmo o objetivo inicial da autora!). Era sobre luto, mas um luto diferente, que é a perda de um filho. Mais ainda, era sobre o luto da perda de um filho na qual os próprios pais estavam envolvidos

Juliano Corrêa
7 de set. de 2024


Os virtuoses
Eu toco violão. Isso tem de ser explicado. Eu tenho um ótimo e lindo violão que eu amo, cuido, mas não sou músico. Uma vez, num barzinho maravilhoso de rock no Flamengo, o Lado B, um dos poucos que existem aqui no Rio de Janeiro, aconteceu uma coisa curiosa (quando me mudei pra cá, eu tinha uma fantasia, acho que baseada na explosão do rock nacional da década de 1980, de que o Rio era uma cidade “muito rock”; não é. Nem um pouco. Nesse quesito, Porto Alegre é muito melhor). A

Juliano Corrêa
24 de ago. de 2024


A volta de Janis Joplin
Janis Joplin nasceu e cresceu numa cidadezinha do Texas, nos Estados Unidos, chamada Port Arthur, que tinha (e se mantém assim) uma média de quase 60 mil habitantes. Janis Joplin, se você não lembra, foi uma das maiores artistas que já existiu, dona de uma voz incomparável, de uma potência e emoção inigualáveis, e símbolo de toda uma geração. Faz parte daquele mórbido “grupo dos 27”: grandes talentos que morreram com 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2024


Interpretação selvagem
Freud escreveu, em 1910, um pequeno texto muito importante intitulado “Psicanálise selvagem”. Não é dos escritos mais famosos e citados do pai da psicanálise, mas eu sempre o considerei muito significativo: trata de técnica, ética e política. E mais ainda nos dias de hoje, onde basicamente qualquer um se denomina “psicanalista” e oferece “psicanálise” (as aspas são muito propositais). Pois Freud fala, justamente, dos charlatões (ou seja, desde sempre eles já existiam!), pess

Juliano Corrêa
21 de jun. de 2024


Eu odeio Bon Jovi (Nevermind...)
Como parece ter virado um costume meu (deve ser tentativa de viralizar isso, né!), este título é enganoso. Você que talvez seja fãzoca de Bon Jovi e cante a plenos pulmões “Living On A Prayer”, pode estar pensando: “ufa, que alívio! Você não odeia Bon Jovi”. Então, não é bem assim também. É que eu, até como um tipo de marca minha, costumava falar aos quatro ventos que o odiava. O motivo era duplo: o primeiro, meio pré-consciente, é que eu sabia a quantidade de pessoas que ama

Juliano Corrêa
14 de jun. de 2024


A felicidade
Quando eu dava aula, tinha uma mania que aplicava em quase todas as provas. Essa coisa das avaliações era o pior para mim: elaborar algo para “provar” o conhecimento da aluna objetivamente de algo como a psicanálise, que se apreende via inconsciente! Uma insanidade. Mas eu era obrigado. Então, eu tentava fazer algumas coisas diferentes, como uma questão extra para analisarem a epígrafe da prova (eu sempre colocava epígrafe). Outra coisa que comecei a fazer com frequência a pa

Juliano Corrêa
31 de mai. de 2024


A prótese
Você sabe o que é uma prótese, né? Colando do Wikipedia, vem do grego antigo próthesis (professor Cláudio Moreno, com quem tive aula de português no cursinho pré-vestibular, poderia dar grande ajuda aqui), que significa “adição”, “aplicação”, “acessório”. É um algo artificial que visa suprir necessidades e funções dos indivíduos, tanto internas como externas. Há uma diferença entre prótese e implante: a prótese substitui uma parte do organismo; já o implante, acrescenta volum

Juliano Corrêa
24 de mai. de 2024


As roubadas
Não faz muito tempo, eu discuti com uma pessoa muito especial sobre as roubadas que nos metemos na vida. Fizemos uma troca de experiências: ela me contando as suas; eu, as minhas. Isso me fez pensar, como sempre me faz com ela, e me trouxe lembranças. Eu estava na primeira metade da faculdade de psicologia quando uma professora, numa aula de psicanálise, começou a dizer sobre situações terríveis nas quais as pessoas se metiam propositalmente, mas de forma inconsciente, claro

Juliano Corrêa
22 de mar. de 2024


Os dóceis
Há uma estupenda (com sempre) novela de Dostoiévski intitulada “A dócil”, de 1876, uma das, como o autor chamou, narrativas fantásticas, junto da não menos assombrosa “O sonho de um homem ridículo”. Mesmo eu não sendo crítico literário (bem longe disso), gosto de falar dessas coisas; porém, não é o momento. “Então por que começou falando disso?”. Calma. Em primeiro lugar, eu acho sempre bom quando se pode oferecer uma boa indicação de leitura. Em segundo lugar, eu não acredit

Juliano Corrêa
1 de mar. de 2024


O desastre de não ser encontrado
Winnicott é realmente espetacular. Há um artigo maravilhoso e muito importante de sua obra, de 1963, “Comunicando e não comunicando levando ao estudo de certos opostos” (fiz uma tradução própria – e tosca, mas com sentido – por não achar a “oficial” boa – note a petulância...), está no livro “O ambiente (facilitador) e os processos de maturação. Existem belas e profundas análises sobre este texto, como a do professor Fábio Belo e, principalmente, a de Thomas Ogden em seu mais

Juliano Corrêa
13 de out. de 2023


"Mas sozinho... é sozinho..."
“História de um casamento” (“Marriage Sory”), filme de 2019, dirigido, produzido e roteirizado por Noah Baumbach, estrelado lindamente por Scarlett Johansson, Adam Driver e Laura Dern, foi um dos melhores filmes que eu vi nos últimos anos. Profundo, sensível, forte, necessário, tudo no ponto certo através de atuações maravilhosas (“só” Laura Dern ganhou o Oscar pela magnífica advogada que interpreta, mas Johansson e Driver foram indicados, assim como o filme também foi para m

Juliano Corrêa
6 de out. de 2023


A espera
“Estou apaixonado? – Sim, pois espero. O outro não espera nunca. Às vezes quero representar aquele que não espera: tento me ocupar em outro lugar, chego atrasado; mas neste jogo perco sempre: o que quer que eu faça, acabo sempre sem ter o que fazer, pontual, até mesmo adiantado. A identidade fatal do enamoramento não é outra senão: sou aquele que espera”. (Foi assim que eu comecei este texto, “A espera”, publicado em 2006 (veja só...) no Boletim Informativo do CEP (onde fiz

Juliano Corrêa
29 de set. de 2023


Encontrando um analista
Não, é claro que isto aqui não é nenhum guia sobre como encontrar o profissional ou mesmo a psicoterapia perfeita; tal coisa não existe: nem o perfeito, nem o guia. Tanto que o título original desta crônica era “como encontrar um terapeuta?”, mas achei que dava mais ainda a impressão de manual, e tenho o costume de fazer títulos que dão a ideia errada do texto (e é muito interessante como um escrito vai se criando/modificando no que vai sendo produzido, como se tomasse vida p

Juliano Corrêa
15 de set. de 2023


A REGRESSÃO
Primeiro texto publicado do braço do tempo para o projeto de estudar a possibilidade do acaso na psicanálise.

Juliano Corrêa
5 de set. de 2023


A cidade e o escritor
Eu realmente não lembro do nome (e nem da história!) de um filme que vi uma vez, há tempos, mas uma cena nunca me saiu da memória (foi só esta cena que vi, na verdade, talvez por isso eu não lembre de nada!): um escritor jovem, lutando contra as dificuldades de escrever, trava um diálogo com um escritor mais experiente e (parecia ser) seu mentor. O mais velho aconselha o mais novo a investir nas angústias contraditórias que sente em relação a cidade onde nasceu (e vivia?), po

Juliano Corrêa
1 de set. de 2023
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