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JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


Noites, estradas e estrelas
Vou falar apoiado em um tema que não me convém: a pintura. Eu não entendo nada de artes plásticas e nunca tive interesse nelas. É claro que existem exceções: há obras que eu gosto, acho belas, ainda que não me causem a afetação emocional que, por exemplo, uma música ou um livro podem me causar. Dentre essas poucas exceções, está Vincent van Gogh. Seus quadros produzem algo forte em mim (como não tenho conhecimento técnico, não sei dizer o que é, mas talvez não precise, pois n

Juliano Corrêa
29 de mai.


Dez anos de falta...... (A estranha "passagem" do tempo)
Neste ano, comemoramos dez anos da morte de David Bowie. Ele morreu dia 10 de janeiro do abençoado ano de 2016. Como a notícia do seu falecimento foi de manhã, eu estava dormindo, pois estava de férias (mesmo sem férias, se eu não tiver um compromisso, estarei dormindo!). Quando acordei, algumas pessoas haviam me enviado mensagens cuidadosas, perguntando se eu “já tinha visto”. Assim que li essas mensagens, pensei: “puta merda”. Porque ninguém vai te escrever esse tipo de co

Juliano Corrêa
6 de mar.


O instante eterno
Alice perguntou para o coelho: “quanto tempo dura o eterno”; o coelho respondeu: “às vezes, apenas um segundo”. Há uma grande chance de você já ter lido (e se encantado, assim como eu!) essa passagem de “Alice no País das Maravilhas”. Eu não quero ser um destruidor de ilusões, mas esse diálogo simplesmente... nunca aconteceu. Lewis Carroll nunca escreveu esse trecho em nenhum dos dois livros da Alice (se existe em algum filme mais recente, eu não sei, mas aí tu estás exigindo

Juliano Corrêa
19 de dez. de 2025


Paris... mas no Texas
Eu sou faísca atrasada para muitas coisas; para quase tudo, na verdade. Se eu estiver tendo um debate com você, pode ter certeza que daqui a três dias (para ser muito generoso comigo mesmo) eu terei um ótimo argumento! É um inferno não ter a presença de espírito para reagir no instante exato. Então, se você já teve alguma discussão comigo, não retome o tema anos depois, pois aí se prepare, você vai ver só! Consequentemente, há muitas obras clássicas que eu não vi, não li, nã

Juliano Corrêa
31 de out. de 2025


A época insana
Eu já fui aconselhado, e aposto todas as minhas fichas que você também já foi, a não fazer algo ou tomar determinada decisão de “cabeça quente”, no “calor do momento”, a deixar “a poeira baixar”, isto é, a pensar com mais calma para, daí sim, agir da maneira que fosse. É um conselho delicado, não acha? Há um texto de 1912, “Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise”, que é delicioso (e essencial!) como todos os do grupo de “Artigos sobre técnica”[1], no qual Freud,

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2025


Saudade do futuro
Eu juro que meu primeiro impulso foi colocar o título desta crônica de “Saudade do que não foi”. Mas aí... foi inevitável eu lembrar do Neymar e daquela mensagem dele que virou meme, “saudades do que a gente não viveu”, algo assim. Ficou impossível pra mim. Ainda que o “menino Ney” tenha razão (em alguma coisa ele tinha de ter, né!). A ideia é bem essa. O título que ficou não é exatamente do que se trata, porque não é bem de uma saudade do futuro, é outra saudade, mais comple

Juliano Corrêa
2 de mai. de 2025


As continuações...
Quando eu assisti ao filme Um Lugar Silencioso – parte II, animei para escrever esta crônica. Eu não gostei. Ainda que não tenha achado o filme ruim! Não, eu achei um ótimo filme. Como, então, que eu não gostei? É que, como toda a sequência, eu fui com a expectativa criada pelo primeiro filme, que é magnífico porque é uma experiência diferente, inovadora. Seu sucessor é um excelente filme de ação e suspense, mas comum, com clichês, coisas que já vimos. Justamente eu não gost

Juliano Corrêa
4 de abr. de 2025


A biblioteca
Eu sei que já falei disso.[1] No entanto, se é a primeira vez que você me lê, também é novo para você. Na verdade, toda a repetição é novidade, e o que nos apaixona acaba sempre nos trazendo de volta, pelo menos enquanto estiver apaixonando... No meu caso, esta paixão que vou falar não vai mais embora, já está muito bem estabelecida nas minhas entranhas. Eu gosto de bibliotecas. Bastante! Na adolescência, ia, por vontade própria, pesquisar e alugar livros que me interessavam

Juliano Corrêa
21 de mar. de 2025


Quanto tempo passou?
Não faz muito tempo, contei determinada situação para uma pessoa especial. Era uma história na qual eu reclamava a demora para um acontecimento, mesmo que este fosse inesperado. Ela objetou: “mas não foi tanto tempo assim”. Eu não respondi; talvez por ela ser especial, mas principalmente porque meu pensamento é lento: tendo a pensar as coisas a posteriori, o que já é interessante para o tema desta crônica, pois remete ao conceito psicanalítico da temporalidade (mas não vamos

Juliano Corrêa
21 de fev. de 2025


O fim da história
Há um episódio da ótima série de comédia The Big Bang Theory, no qual Amy diz para seu namorado, o genial e maluco Sheldon, que ele tem um problema com closure, ou seja, ele não consegue deixar as coisas sem um encerramento. Passam-se, então, várias cenas muito engraçadas nas quais ela tenta reprogramar seu cérebro, colocando-o em situações que ele fica impossibilitado de encerrar determinadas tarefas. Obviamente, sua tentativa não é bem sucedida. Eu revi esse episódio dias d

Juliano Corrêa
7 de fev. de 2025


As reuniões
Eu publiquei uma crônica sobre a minha ida ao show do The Police em 2007.[1] Ali, eu contei todo o meu desespero para ir (e pavor pelo risco de não conseguir), por ter pensado que nunca mais teria esta oportunidade: eu meio que “sabia” que a chance seria única, que eles nunca mais se reuniriam novamente para uma turnê (estou certo até agora, e o tempo está a meu favor nisso!). É só conhecer a história da banda para saber disso, não é nenhuma grande percepção. Ainda que tenham

Juliano Corrêa
31 de dez. de 2024


Cavalo encilhado
Há um dito, acho que é gaúcho, que diz assim: “um cavalo encilhado não passa duas vezes”. O que isso quer significa? Bom, se você não é daqui do sul (bem do sul), pode estar se perguntando: “mas que porra é essa de encilhado???”. Aí, eu, um ignorante da cultura gauchesca, explico: encilhar é colocar a cinta no cavalo para poder cavalgar ou levar alguma carga. Se você, por azar meu, é um riograndense raiz e está de olhos arregalados pelo o que eu acabei de escrever, calma, por

Juliano Corrêa
15 de out. de 2024


Não era o planejado
The Godfather, “O Poderoso Chefão” para nós, é uma obra-prima do cinema. Dirigido por Francis Ford Coppola, que também assina o roteiro juntamente com Mario Puzo (que escreveu o livro que inspirou o filme, e que também roteirizou os dois primeiros filmes do Super-Homem, ou seja, é o meu herói pessoal!), e a sublime trilha sonora de Nino Rota, além de um elenco recheado de talentos, é uma trilogia de, acho que poderia se dizer, uma tragédia familiar. Claro, essa família é da m

Juliano Corrêa
13 de set. de 2024


O trabalho sobre música que ninguém escreveu
Bom, esclarecimentos iniciais: em primeiro lugar, eu realmente não sei se, de fato, esse trabalho nunca foi escrito. Eu, ao menos, nuca vi ou ouvi falar, mas minha procura não foi profunda, na verdade, eu mal procurei (inclusive, se você, por acaso, souber que esse trabalho existe, por favor me avise!). Em segundo lugar, é óbvio que eu não estou (agora pelo menos...) escrevendo esse trabalho, eu estou só lamentando ele não existir (ou eu nunca ter visto). Há pouco tempo, rec

Juliano Corrêa
31 de ago. de 2024


A volta de Janis Joplin
Janis Joplin nasceu e cresceu numa cidadezinha do Texas, nos Estados Unidos, chamada Port Arthur, que tinha (e se mantém assim) uma média de quase 60 mil habitantes. Janis Joplin, se você não lembra, foi uma das maiores artistas que já existiu, dona de uma voz incomparável, de uma potência e emoção inigualáveis, e símbolo de toda uma geração. Faz parte daquele mórbido “grupo dos 27”: grandes talentos que morreram com 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2024


Dinossauros de volta?
Já faz um tempinho, um amigo especial me indicou a série documental (muito boa!) de três episódios, “Desastre total: Woodstock 99”, disponível na Netflix. O título é autoexplicativo: foi uma ideia de reeditar o clássico festival de 1969 na celebração dos seus 30 anos, e foi sim um desastre total, considerado por muitos o pior festival de música da história. Eu gostei bastante (do documentário né). Mostra tudo muito bem, através de entrevistas com pessoas envolvidas, público

Juliano Corrêa
19 de jul. de 2024


Perdas (sem danos?)
Uma vez, um amigo me disse, quando sua mulher estava grávida, que eles estavam evitando contar para as pessoas por um motivo principal: não estressar a mãe estreante com notícias de perdas na primeira gravidez. Eu nunca havia me dado conta, mas é verdade: é só dizer que está grávida, e tem algum infeliz que conta da fulana que perdeu o primeiro bebê (quando não é a própria que diz isso). Que falta de noção, né! Não tem nada melhorzinho para falar numa hora dessas? Que costume

Juliano Corrêa
5 de jul. de 2024


Interpretação selvagem
Freud escreveu, em 1910, um pequeno texto muito importante intitulado “Psicanálise selvagem”. Não é dos escritos mais famosos e citados do pai da psicanálise, mas eu sempre o considerei muito significativo: trata de técnica, ética e política. E mais ainda nos dias de hoje, onde basicamente qualquer um se denomina “psicanalista” e oferece “psicanálise” (as aspas são muito propositais). Pois Freud fala, justamente, dos charlatões (ou seja, desde sempre eles já existiam!), pess

Juliano Corrêa
21 de jun. de 2024


Lembranças
Há pouco tempo, eu estive envolvido (por vários dias...) em uma tarefa de limpeza. Não a faxina da casa: limpeza das tralhas que a gente guarda. Talvez você seja uma daquelas pessoas que não guarda nada, de modo que nunca teve de fazer isso, então esta crônica não fará o menor sentido para você. Pule esta, escolha alguma outra. Agora, se você também guarda coisas e num futuro qualquer se depara com elas novamente, talvez possa haver alguma identificação aqui. Há uma diferenç

Juliano Corrêa
19 de abr. de 2024


O lugar que se amou
Eu adoro memes. É sério. Gosto muito! Não só, claro: também procuro o que me interessa e me mantenho informado através da internet. Eu também fico sempre muito desconfiado, como todos nós devemos ficar, não só com notícias, mas quando vejo alguma citação ou situação contada. Será que é isso mesmo? Sempre temos de conferir: é impressionante, ainda hoje, que pessoas engulam, sem nem engasgar, qualquer coisa que veem ou recebem pelas mídias sociais. Espero que você não seja uma

Juliano Corrêa
1 de dez. de 2023
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