top of page

JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


Noites, estradas e estrelas
Vou falar apoiado em um tema que não me convém: a pintura. Eu não entendo nada de artes plásticas e nunca tive interesse nelas. É claro que existem exceções: há obras que eu gosto, acho belas, ainda que não me causem a afetação emocional que, por exemplo, uma música ou um livro podem me causar. Dentre essas poucas exceções, está Vincent van Gogh. Seus quadros produzem algo forte em mim (como não tenho conhecimento técnico, não sei dizer o que é, mas talvez não precise, pois n

Juliano Corrêa
29 de mai.


Eu te escuto...
Outro capítulo do meu histórico de faísca atrasada. Eu já falei que eu sou um tipo péssimo para debates, pois tenho uma impossibilidade de pensar respostas na hora.[1] Em cima dessa minha dificuldade, vou desenvolver alguns pensamentos que vêm disso. Eu odeio vários tipos de pessoas. Um desses tipos, provavelmente por causa dessa minha lentidão, são aquelas pessoas que exigem sempre um posicionamento sobre seja lá o que for que estiverem falando. Algumas vezes, é claro, eu t

Juliano Corrêa
24 de abr.


O instante eterno
Alice perguntou para o coelho: “quanto tempo dura o eterno”; o coelho respondeu: “às vezes, apenas um segundo”. Há uma grande chance de você já ter lido (e se encantado, assim como eu!) essa passagem de “Alice no País das Maravilhas”. Eu não quero ser um destruidor de ilusões, mas esse diálogo simplesmente... nunca aconteceu. Lewis Carroll nunca escreveu esse trecho em nenhum dos dois livros da Alice (se existe em algum filme mais recente, eu não sei, mas aí tu estás exigindo

Juliano Corrêa
19 de dez. de 2025


Invisíveis
Eu estava na metade do curso de psicologia quando iniciei meu primeiro tratamento psicológico. Digo “o primeiro” porque outros vieram depois: Freud mesmo dizia que todo o psicanalista deveria, de tempos em tempos, retornar ao tratamento para uma “reciclagem”. Mas este que estou me referindo foi com uma psicóloga que não era psicanalista. Até hoje não sei o que ela era (se “era” alguma coisa nesse sentido de linha teórica). Engraçado que, mesmo na época (estudantes de psicolog

Juliano Corrêa
22 de nov. de 2025


A época insana
Eu já fui aconselhado, e aposto todas as minhas fichas que você também já foi, a não fazer algo ou tomar determinada decisão de “cabeça quente”, no “calor do momento”, a deixar “a poeira baixar”, isto é, a pensar com mais calma para, daí sim, agir da maneira que fosse. É um conselho delicado, não acha? Há um texto de 1912, “Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise”, que é delicioso (e essencial!) como todos os do grupo de “Artigos sobre técnica”[1], no qual Freud,

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2025


Eternamente responsável
Há tempos eu penso em escrever uma crônica sobre O Pequeno Príncipe; esta provavelmente não será a única. Em várias outras, como em uma recente,[1] eu acabo escorregando, às vezes sem querer mesmo, em outras, propositalmente, para alguma metáfora que me leva ao livro. Ele é de uma riqueza extraordinária, sem fim. Eu já falei que costumava fazer as alunas lerem livros para fazerem trabalho nas aulas de psicanálise (e de ética também!). Era assim: ler o livro (obviamente) e es

Juliano Corrêa
12 de jul. de 2025


Protocolo Jordan
Você conhece (ou, ao menos, já ouviu falar de!), com certeza, Michael Jordan. Não precisa gostar de basquete. Assim como não precisa acompanhar futebol para saber quem foi Pelé, curtir boxe para saber de Muhammad Ali, entender de física para já ter ouvido falar de Albert Einstein. Jordan está nesse patamar: pessoas que, devido aos seus dons e feitos especiais, transcendem sua área de atuação. Michael Jordan está na história como um dos maiores esportistas de todos os tempos,

Juliano Corrêa
6 de jun. de 2025


Quanto tempo passou?
Não faz muito tempo, contei determinada situação para uma pessoa especial. Era uma história na qual eu reclamava a demora para um acontecimento, mesmo que este fosse inesperado. Ela objetou: “mas não foi tanto tempo assim”. Eu não respondi; talvez por ela ser especial, mas principalmente porque meu pensamento é lento: tendo a pensar as coisas a posteriori, o que já é interessante para o tema desta crônica, pois remete ao conceito psicanalítico da temporalidade (mas não vamos

Juliano Corrêa
21 de fev. de 2025


O fim da história
Há um episódio da ótima série de comédia The Big Bang Theory, no qual Amy diz para seu namorado, o genial e maluco Sheldon, que ele tem um problema com closure, ou seja, ele não consegue deixar as coisas sem um encerramento. Passam-se, então, várias cenas muito engraçadas nas quais ela tenta reprogramar seu cérebro, colocando-o em situações que ele fica impossibilitado de encerrar determinadas tarefas. Obviamente, sua tentativa não é bem sucedida. Eu revi esse episódio dias d

Juliano Corrêa
7 de fev. de 2025


Verdade sem amor
Cazuza cantava: “mentiras sinceras me interessam”. Também interessavam “raspas e restos”, “migalhas dormidas (do teu pão)”, “pequenas porções de ilusão”. Claro, fazia parte do contexto da clássica canção (e eu diria também da época) do Barão Vermelho “Maior Abandonado”. Mas eu não estou nem um pouco interessado em mentiras (mesmo as sinceras) agora. Por mais que as mentiras, ainda mais as sinceras, tenham uma vantagem paradoxal: elas não enganam. Como assim? Não são para enga

Juliano Corrêa
24 de jan. de 2025


Acrobata dos sonhos
Eu escrevi, há algum tempo, uma crônica[1] baseada (e modificada) de um texto que havia publicado no Boletim Interno da instituição onde fiz minha formação psicanalítica. Esta crônica aqui vai pelo mesmo caminho, mas é um pouco diferente. Trata-se de uma fala que escrevi para um evento que acontecia (a “Terça Científica”, naquela época estavam chamando alunos em formação para participar e, como eu era muito ativo e exibido, era um alvo fácil), e que fui convidado para falar

Juliano Corrêa
5 de nov. de 2024


Não era o planejado
The Godfather, “O Poderoso Chefão” para nós, é uma obra-prima do cinema. Dirigido por Francis Ford Coppola, que também assina o roteiro juntamente com Mario Puzo (que escreveu o livro que inspirou o filme, e que também roteirizou os dois primeiros filmes do Super-Homem, ou seja, é o meu herói pessoal!), e a sublime trilha sonora de Nino Rota, além de um elenco recheado de talentos, é uma trilogia de, acho que poderia se dizer, uma tragédia familiar. Claro, essa família é da m

Juliano Corrêa
13 de set. de 2024


O colorido da vida
Eu andei lembrando de algumas coisas que se conectaram. Anos atrás, eu tive a oportunidade de participar da elaboração de um trabalho terrível. O “terrível” aqui tem de ser explicado: ele era ótimo, mas difícil até de ler por causa da extremidade das dores envolvidas (no fim, era mesmo o objetivo inicial da autora!). Era sobre luto, mas um luto diferente, que é a perda de um filho. Mais ainda, era sobre o luto da perda de um filho na qual os próprios pais estavam envolvidos

Juliano Corrêa
7 de set. de 2024


O trabalho sobre música que ninguém escreveu
Bom, esclarecimentos iniciais: em primeiro lugar, eu realmente não sei se, de fato, esse trabalho nunca foi escrito. Eu, ao menos, nuca vi ou ouvi falar, mas minha procura não foi profunda, na verdade, eu mal procurei (inclusive, se você, por acaso, souber que esse trabalho existe, por favor me avise!). Em segundo lugar, é óbvio que eu não estou (agora pelo menos...) escrevendo esse trabalho, eu estou só lamentando ele não existir (ou eu nunca ter visto). Há pouco tempo, rec

Juliano Corrêa
31 de ago. de 2024


A volta de Janis Joplin
Janis Joplin nasceu e cresceu numa cidadezinha do Texas, nos Estados Unidos, chamada Port Arthur, que tinha (e se mantém assim) uma média de quase 60 mil habitantes. Janis Joplin, se você não lembra, foi uma das maiores artistas que já existiu, dona de uma voz incomparável, de uma potência e emoção inigualáveis, e símbolo de toda uma geração. Faz parte daquele mórbido “grupo dos 27”: grandes talentos que morreram com 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2024


Interpretação selvagem
Freud escreveu, em 1910, um pequeno texto muito importante intitulado “Psicanálise selvagem”. Não é dos escritos mais famosos e citados do pai da psicanálise, mas eu sempre o considerei muito significativo: trata de técnica, ética e política. E mais ainda nos dias de hoje, onde basicamente qualquer um se denomina “psicanalista” e oferece “psicanálise” (as aspas são muito propositais). Pois Freud fala, justamente, dos charlatões (ou seja, desde sempre eles já existiam!), pess

Juliano Corrêa
21 de jun. de 2024


Eu odeio Bon Jovi (Nevermind...)
Como parece ter virado um costume meu (deve ser tentativa de viralizar isso, né!), este título é enganoso. Você que talvez seja fãzoca de Bon Jovi e cante a plenos pulmões “Living On A Prayer”, pode estar pensando: “ufa, que alívio! Você não odeia Bon Jovi”. Então, não é bem assim também. É que eu, até como um tipo de marca minha, costumava falar aos quatro ventos que o odiava. O motivo era duplo: o primeiro, meio pré-consciente, é que eu sabia a quantidade de pessoas que ama

Juliano Corrêa
14 de jun. de 2024


A felicidade
Quando eu dava aula, tinha uma mania que aplicava em quase todas as provas. Essa coisa das avaliações era o pior para mim: elaborar algo para “provar” o conhecimento da aluna objetivamente de algo como a psicanálise, que se apreende via inconsciente! Uma insanidade. Mas eu era obrigado. Então, eu tentava fazer algumas coisas diferentes, como uma questão extra para analisarem a epígrafe da prova (eu sempre colocava epígrafe). Outra coisa que comecei a fazer com frequência a pa

Juliano Corrêa
31 de mai. de 2024


A prótese
Você sabe o que é uma prótese, né? Colando do Wikipedia, vem do grego antigo próthesis (professor Cláudio Moreno, com quem tive aula de português no cursinho pré-vestibular, poderia dar grande ajuda aqui), que significa “adição”, “aplicação”, “acessório”. É um algo artificial que visa suprir necessidades e funções dos indivíduos, tanto internas como externas. Há uma diferença entre prótese e implante: a prótese substitui uma parte do organismo; já o implante, acrescenta volum

Juliano Corrêa
24 de mai. de 2024


As roubadas
Não faz muito tempo, eu discuti com uma pessoa muito especial sobre as roubadas que nos metemos na vida. Fizemos uma troca de experiências: ela me contando as suas; eu, as minhas. Isso me fez pensar, como sempre me faz com ela, e me trouxe lembranças. Eu estava na primeira metade da faculdade de psicologia quando uma professora, numa aula de psicanálise, começou a dizer sobre situações terríveis nas quais as pessoas se metiam propositalmente, mas de forma inconsciente, claro

Juliano Corrêa
22 de mar. de 2024
bottom of page