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JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


UMA GRANDE PEDRA NO SAPATO - Os paradoxos de Freud, parte II
I want you to notice when I’m not around You’re so fuckin’ special, I wish I was special But I’m a creep, I’m a weirdo What the hell am I doin’ here? I don’ belong here “Creep” – Radiohead Freud era um homem dividido. É dramático dizer isso; porém, ele mesmo era dramático (é só o ver intitulando o seu próprio isolamento no início da psicanálise como “esplêndido”), então, eu me autorizo. Formado firmemente nos moldes da ciência da sua época, Freud se identificava com e

Juliano Corrêa
8 de mai.


O instante eterno
Alice perguntou para o coelho: “quanto tempo dura o eterno”; o coelho respondeu: “às vezes, apenas um segundo”. Há uma grande chance de você já ter lido (e se encantado, assim como eu!) essa passagem de “Alice no País das Maravilhas”. Eu não quero ser um destruidor de ilusões, mas esse diálogo simplesmente... nunca aconteceu. Lewis Carroll nunca escreveu esse trecho em nenhum dos dois livros da Alice (se existe em algum filme mais recente, eu não sei, mas aí tu estás exigindo

Juliano Corrêa
19 de dez. de 2025


UM FREUD POSITIVISTA... MAS NEM TANTO - Os paradoxos de Freud, parte I
Segundo texto publicado do "braço" do espaço para o estudo do lugar do acaso na psicanálise.

Juliano Corrêa
5 de dez. de 2025


A época insana
Eu já fui aconselhado, e aposto todas as minhas fichas que você também já foi, a não fazer algo ou tomar determinada decisão de “cabeça quente”, no “calor do momento”, a deixar “a poeira baixar”, isto é, a pensar com mais calma para, daí sim, agir da maneira que fosse. É um conselho delicado, não acha? Há um texto de 1912, “Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise”, que é delicioso (e essencial!) como todos os do grupo de “Artigos sobre técnica”[1], no qual Freud,

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2025


Saudade do futuro
Eu juro que meu primeiro impulso foi colocar o título desta crônica de “Saudade do que não foi”. Mas aí... foi inevitável eu lembrar do Neymar e daquela mensagem dele que virou meme, “saudades do que a gente não viveu”, algo assim. Ficou impossível pra mim. Ainda que o “menino Ney” tenha razão (em alguma coisa ele tinha de ter, né!). A ideia é bem essa. O título que ficou não é exatamente do que se trata, porque não é bem de uma saudade do futuro, é outra saudade, mais comple

Juliano Corrêa
2 de mai. de 2025


Quanto tempo passou?
Não faz muito tempo, contei determinada situação para uma pessoa especial. Era uma história na qual eu reclamava a demora para um acontecimento, mesmo que este fosse inesperado. Ela objetou: “mas não foi tanto tempo assim”. Eu não respondi; talvez por ela ser especial, mas principalmente porque meu pensamento é lento: tendo a pensar as coisas a posteriori, o que já é interessante para o tema desta crônica, pois remete ao conceito psicanalítico da temporalidade (mas não vamos

Juliano Corrêa
21 de fev. de 2025


Verdade sem amor
Cazuza cantava: “mentiras sinceras me interessam”. Também interessavam “raspas e restos”, “migalhas dormidas (do teu pão)”, “pequenas porções de ilusão”. Claro, fazia parte do contexto da clássica canção (e eu diria também da época) do Barão Vermelho “Maior Abandonado”. Mas eu não estou nem um pouco interessado em mentiras (mesmo as sinceras) agora. Por mais que as mentiras, ainda mais as sinceras, tenham uma vantagem paradoxal: elas não enganam. Como assim? Não são para enga

Juliano Corrêa
24 de jan. de 2025


As mensagens apagadas
Uma vez, há muitos e muitos anos (quase que numa galáxia muito distante), enviei um e-mail para uma amiga. Era quando o e-mail era uma grande sensação ainda, não existiam as redes sociais e os aplicativos de comunicação mais instantânea (entregando a idade, né!). O problema daquele e-mail foi que... não era para ela! Eu realmente não lembro sobre o que era, nem para quem deveria ter sido encaminhado, só recordo, muito bem, que assim que foi enviado, e eu percebi que tinha sid

Juliano Corrêa
29 de nov. de 2024


Acrobata dos sonhos
Eu escrevi, há algum tempo, uma crônica[1] baseada (e modificada) de um texto que havia publicado no Boletim Interno da instituição onde fiz minha formação psicanalítica. Esta crônica aqui vai pelo mesmo caminho, mas é um pouco diferente. Trata-se de uma fala que escrevi para um evento que acontecia (a “Terça Científica”, naquela época estavam chamando alunos em formação para participar e, como eu era muito ativo e exibido, era um alvo fácil), e que fui convidado para falar

Juliano Corrêa
5 de nov. de 2024


A volta de Janis Joplin
Janis Joplin nasceu e cresceu numa cidadezinha do Texas, nos Estados Unidos, chamada Port Arthur, que tinha (e se mantém assim) uma média de quase 60 mil habitantes. Janis Joplin, se você não lembra, foi uma das maiores artistas que já existiu, dona de uma voz incomparável, de uma potência e emoção inigualáveis, e símbolo de toda uma geração. Faz parte daquele mórbido “grupo dos 27”: grandes talentos que morreram com 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2024


Perdas (sem danos?)
Uma vez, um amigo me disse, quando sua mulher estava grávida, que eles estavam evitando contar para as pessoas por um motivo principal: não estressar a mãe estreante com notícias de perdas na primeira gravidez. Eu nunca havia me dado conta, mas é verdade: é só dizer que está grávida, e tem algum infeliz que conta da fulana que perdeu o primeiro bebê (quando não é a própria que diz isso). Que falta de noção, né! Não tem nada melhorzinho para falar numa hora dessas? Que costume

Juliano Corrêa
5 de jul. de 2024


Interpretação selvagem
Freud escreveu, em 1910, um pequeno texto muito importante intitulado “Psicanálise selvagem”. Não é dos escritos mais famosos e citados do pai da psicanálise, mas eu sempre o considerei muito significativo: trata de técnica, ética e política. E mais ainda nos dias de hoje, onde basicamente qualquer um se denomina “psicanalista” e oferece “psicanálise” (as aspas são muito propositais). Pois Freud fala, justamente, dos charlatões (ou seja, desde sempre eles já existiam!), pess

Juliano Corrêa
21 de jun. de 2024


A felicidade
Quando eu dava aula, tinha uma mania que aplicava em quase todas as provas. Essa coisa das avaliações era o pior para mim: elaborar algo para “provar” o conhecimento da aluna objetivamente de algo como a psicanálise, que se apreende via inconsciente! Uma insanidade. Mas eu era obrigado. Então, eu tentava fazer algumas coisas diferentes, como uma questão extra para analisarem a epígrafe da prova (eu sempre colocava epígrafe). Outra coisa que comecei a fazer com frequência a pa

Juliano Corrêa
31 de mai. de 2024


Choveu...
Choveu. Eu sempre gostei da chuva. Inclusive, algo que a maioria parece não gostar, de sair: sempre adorei sair em noites de chuva (tenho muitas lembranças), sei lá, coisa minha. Contudo, eu também gosto dos dias de chuva para ficar em casa. Fazer pipoca, qualquer comida gostosa (sopa de capeletti?), beber vinho talvez, ver um filme... Enfim, há uma infinidade coisas boas para se fazer com a chuva.... Mas choveu demais. Muito demais. Só que o problema não foi a chuva! Há ano

Juliano Corrêa
18 de mai. de 2024


UM SIMPLES ERRO EDITORIAL?
Primeiro texto publicado do "braço" do espaço para o estudo do lugar do acaso na psicanálise.

Juliano Corrêa
11 de abr. de 2024


As roubadas
Não faz muito tempo, eu discuti com uma pessoa muito especial sobre as roubadas que nos metemos na vida. Fizemos uma troca de experiências: ela me contando as suas; eu, as minhas. Isso me fez pensar, como sempre me faz com ela, e me trouxe lembranças. Eu estava na primeira metade da faculdade de psicologia quando uma professora, numa aula de psicanálise, começou a dizer sobre situações terríveis nas quais as pessoas se metiam propositalmente, mas de forma inconsciente, claro

Juliano Corrêa
22 de mar. de 2024


Os dóceis
Há uma estupenda (com sempre) novela de Dostoiévski intitulada “A dócil”, de 1876, uma das, como o autor chamou, narrativas fantásticas, junto da não menos assombrosa “O sonho de um homem ridículo”. Mesmo eu não sendo crítico literário (bem longe disso), gosto de falar dessas coisas; porém, não é o momento. “Então por que começou falando disso?”. Calma. Em primeiro lugar, eu acho sempre bom quando se pode oferecer uma boa indicação de leitura. Em segundo lugar, eu não acredit

Juliano Corrêa
1 de mar. de 2024


O texto vivo
Há pouco, eu publiquei uma crônica[1] na qual, bem no início, por causa de uma simples mudança do título inicial que eu havia pensando, comentei como era interessante a sensação de que um texto vai assumindo vida própria, modificando-se e tomando seus próprios rumos, alheio à nossa vontade e/ou planejamento, como se se produzisse por si só. Isso não é, por certo, nenhuma novidade, eu mesmo já ouvi várias vezes escritores falando, cada um a sua maneira, desse tipo de coisa. Eu

Juliano Corrêa
27 de out. de 2023


A REGRESSÃO
Primeiro texto publicado do braço do tempo para o projeto de estudar a possibilidade do acaso na psicanálise.

Juliano Corrêa
5 de set. de 2023


O que é uma boa sessão de análise?
Como outros, este é um daqueles textos que o título é uma pergunta, mas esta não será respondida. Não deveria ter dito isso assim, logo de início, né? Pois é, tenho de trabalhar melhor o marketing... O que me levou a escrever esta crônica foi um pensamento aleatório que me ocorreu frente a algo que já ouvi muitas vezes: a pessoa dizer, geralmente no fim da sessão, que a achou ruim (isso, quase sempre, mais no sentido de ter sido ruim para mim, por a pessoa estar se achando c

Juliano Corrêa
18 de ago. de 2023
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