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JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


O novo
Mais de uma vez eu falei aqui sobre a dificuldade que eu vejo que a maioria das pessoas têm com o novo, aquilo que é absolutamente novo (assim como o desejo de retornar a formas anteriores, o que meio que dá no mesmo).[1]Semana passada, ao abordar outra dificuldade, a de aceitar algo sem explicação,[2] eu deixei a porta aberta para esse tema correlato que há muito tempo ocupa a minha mente, desde uma forma mais geral, até uma mais específica. A parte mais geral tem inúmeras

Juliano Corrêa
7 de ago.


A misteriosa genialidade
Faz bastante tempo que eu não leio Shakespeare, e estou planejando voltar. (Calma: não vou falar sobre isso – ao menos, não agora –, ainda que a intelligentsia ocidental esteja em polvorosa com essa notícia tão importante). Fui, como sempre, pesquisar sobre a peça que estou mirando, e aí... a internet é um círculo do inferno para gente curiosa: uma coisa interessante leva para outra coisa interessante e, sem perceber, a gente está há horas estudando algo quilômetros de distân

Juliano Corrêa
31 de jul.


Noites, estradas e estrelas
Vou falar apoiado em um tema que não me convém: a pintura. Eu não entendo nada de artes plásticas e nunca tive interesse nelas. É claro que existem exceções: há obras que eu gosto, acho belas, ainda que não me causem a afetação emocional que, por exemplo, uma música ou um livro podem me causar. Dentre essas poucas exceções, está Vincent van Gogh. Seus quadros produzem algo forte em mim (como não tenho conhecimento técnico, não sei dizer o que é, mas talvez não precise, pois n

Juliano Corrêa
29 de mai.


UMA GRANDE PEDRA NO SAPATO - Os paradoxos de Freud, parte II
I want you to notice when I’m not around You’re so fuckin’ special, I wish I was special But I’m a creep, I’m a weirdo What the hell am I doin’ here? I don’ belong here “Creep” – Radiohead Freud era um homem dividido. É dramático dizer isso; porém, ele mesmo era dramático (é só o ver intitulando o seu próprio isolamento no início da psicanálise como “esplêndido”), então, eu me autorizo. Formado firmemente nos moldes da ciência da sua época, Freud se identificava com e

Juliano Corrêa
8 de mai.


Eu te escuto...
Outro capítulo do meu histórico de faísca atrasada. Eu já falei que eu sou um tipo péssimo para debates, pois tenho uma impossibilidade de pensar respostas na hora.[1] Em cima dessa minha dificuldade, vou desenvolver alguns pensamentos que vêm disso. Eu odeio vários tipos de pessoas. Um desses tipos, provavelmente por causa dessa minha lentidão, são aquelas pessoas que exigem sempre um posicionamento sobre seja lá o que for que estiverem falando. Algumas vezes, é claro, eu t

Juliano Corrêa
24 de abr.


UM FREUD POSITIVISTA... MAS NEM TANTO - Os paradoxos de Freud, parte I
Segundo texto publicado do "braço" do espaço para o estudo do lugar do acaso na psicanálise.

Juliano Corrêa
5 de dez. de 2025


Os limites do corpo
“Amadeus”, do genial cineasta Milos Forman, é um dos melhores filmes que eu vi na vida. Conta a história de Mozart e a relação/rivalidade que Antonio Salieri tinha com ele. Salieri era o compositor da corte de José II, arquiduque da Áustria, foi bem famoso em sua época. Parecia satisfeito com a sua vida até o aparecimento de Mozart gerar uma inveja doentia que conduz os acontecimentos do filme. Essa história é fictícia: deriva das peças de teatro de Alexander Pushkin e de Pet

Juliano Corrêa
26 de set. de 2025


Protocolo Jordan
Você conhece (ou, ao menos, já ouviu falar de!), com certeza, Michael Jordan. Não precisa gostar de basquete. Assim como não precisa acompanhar futebol para saber quem foi Pelé, curtir boxe para saber de Muhammad Ali, entender de física para já ter ouvido falar de Albert Einstein. Jordan está nesse patamar: pessoas que, devido aos seus dons e feitos especiais, transcendem sua área de atuação. Michael Jordan está na história como um dos maiores esportistas de todos os tempos,

Juliano Corrêa
6 de jun. de 2025


Corolário
Eu publiquei aqui uma crônica sobre o Nirvana, mais especificamente sobre a especialidade do disco Nevermind e a minha (triste não) relação com ele na época.[1] Em um momento, talvez para falar da minha reação a ouvir inteiro e com atenção, depois de tantos anos, aquele disco tão importante e extraordinário, usei a palavra estupefato. Chamou a minha atenção. Estupefato. É que eu não gosto nem um pouco de usar palavras, digamos, diferentes, que não são usuais da fala, que faz

Juliano Corrêa
18 de abr. de 2025


Quanto tempo passou?
Não faz muito tempo, contei determinada situação para uma pessoa especial. Era uma história na qual eu reclamava a demora para um acontecimento, mesmo que este fosse inesperado. Ela objetou: “mas não foi tanto tempo assim”. Eu não respondi; talvez por ela ser especial, mas principalmente porque meu pensamento é lento: tendo a pensar as coisas a posteriori, o que já é interessante para o tema desta crônica, pois remete ao conceito psicanalítico da temporalidade (mas não vamos

Juliano Corrêa
21 de fev. de 2025


O fim da história
Há um episódio da ótima série de comédia The Big Bang Theory, no qual Amy diz para seu namorado, o genial e maluco Sheldon, que ele tem um problema com closure, ou seja, ele não consegue deixar as coisas sem um encerramento. Passam-se, então, várias cenas muito engraçadas nas quais ela tenta reprogramar seu cérebro, colocando-o em situações que ele fica impossibilitado de encerrar determinadas tarefas. Obviamente, sua tentativa não é bem sucedida. Eu revi esse episódio dias d

Juliano Corrêa
7 de fev. de 2025


As mensagens apagadas
Uma vez, há muitos e muitos anos (quase que numa galáxia muito distante), enviei um e-mail para uma amiga. Era quando o e-mail era uma grande sensação ainda, não existiam as redes sociais e os aplicativos de comunicação mais instantânea (entregando a idade, né!). O problema daquele e-mail foi que... não era para ela! Eu realmente não lembro sobre o que era, nem para quem deveria ter sido encaminhado, só recordo, muito bem, que assim que foi enviado, e eu percebi que tinha sid

Juliano Corrêa
29 de nov. de 2024


Acrobata dos sonhos
Eu escrevi, há algum tempo, uma crônica[1] baseada (e modificada) de um texto que havia publicado no Boletim Interno da instituição onde fiz minha formação psicanalítica. Esta crônica aqui vai pelo mesmo caminho, mas é um pouco diferente. Trata-se de uma fala que escrevi para um evento que acontecia (a “Terça Científica”, naquela época estavam chamando alunos em formação para participar e, como eu era muito ativo e exibido, era um alvo fácil), e que fui convidado para falar

Juliano Corrêa
5 de nov. de 2024


Cavalo encilhado
Há um dito, acho que é gaúcho, que diz assim: “um cavalo encilhado não passa duas vezes”. O que isso quer significa? Bom, se você não é daqui do sul (bem do sul), pode estar se perguntando: “mas que porra é essa de encilhado???”. Aí, eu, um ignorante da cultura gauchesca, explico: encilhar é colocar a cinta no cavalo para poder cavalgar ou levar alguma carga. Se você, por azar meu, é um riograndense raiz e está de olhos arregalados pelo o que eu acabei de escrever, calma, por

Juliano Corrêa
15 de out. de 2024


As quatro notas
Uma vez, estava falando para o meu analista sobre um tipo de encruzilhada que eu me encontrava. Tinha a ver com a produção da minha tese: eu estava meio perdido, sem saber exatamente por onde ir, que tom usar, etc. A sensação era que eu precisava de algo novo que me desse rumo novamente, pois eu me sentia sem nenhum. Então, ele disse mais ou menos assim: “você tem que encontrar as suas quatro notas”. Parece estranho, né? Mas foi uma intervenção muito importante, tinha relação

Juliano Corrêa
24 de set. de 2024


Não era o planejado
The Godfather, “O Poderoso Chefão” para nós, é uma obra-prima do cinema. Dirigido por Francis Ford Coppola, que também assina o roteiro juntamente com Mario Puzo (que escreveu o livro que inspirou o filme, e que também roteirizou os dois primeiros filmes do Super-Homem, ou seja, é o meu herói pessoal!), e a sublime trilha sonora de Nino Rota, além de um elenco recheado de talentos, é uma trilogia de, acho que poderia se dizer, uma tragédia familiar. Claro, essa família é da m

Juliano Corrêa
13 de set. de 2024


O colorido da vida
Eu andei lembrando de algumas coisas que se conectaram. Anos atrás, eu tive a oportunidade de participar da elaboração de um trabalho terrível. O “terrível” aqui tem de ser explicado: ele era ótimo, mas difícil até de ler por causa da extremidade das dores envolvidas (no fim, era mesmo o objetivo inicial da autora!). Era sobre luto, mas um luto diferente, que é a perda de um filho. Mais ainda, era sobre o luto da perda de um filho na qual os próprios pais estavam envolvidos

Juliano Corrêa
7 de set. de 2024


O trabalho sobre música que ninguém escreveu
Bom, esclarecimentos iniciais: em primeiro lugar, eu realmente não sei se, de fato, esse trabalho nunca foi escrito. Eu, ao menos, nuca vi ou ouvi falar, mas minha procura não foi profunda, na verdade, eu mal procurei (inclusive, se você, por acaso, souber que esse trabalho existe, por favor me avise!). Em segundo lugar, é óbvio que eu não estou (agora pelo menos...) escrevendo esse trabalho, eu estou só lamentando ele não existir (ou eu nunca ter visto). Há pouco tempo, rec

Juliano Corrêa
31 de ago. de 2024


Os virtuoses
Eu toco violão. Isso tem de ser explicado. Eu tenho um ótimo e lindo violão que eu amo, cuido, mas não sou músico. Uma vez, num barzinho maravilhoso de rock no Flamengo, o Lado B, um dos poucos que existem aqui no Rio de Janeiro, aconteceu uma coisa curiosa (quando me mudei pra cá, eu tinha uma fantasia, acho que baseada na explosão do rock nacional da década de 1980, de que o Rio era uma cidade “muito rock”; não é. Nem um pouco. Nesse quesito, Porto Alegre é muito melhor). A

Juliano Corrêa
24 de ago. de 2024


A volta de Janis Joplin
Janis Joplin nasceu e cresceu numa cidadezinha do Texas, nos Estados Unidos, chamada Port Arthur, que tinha (e se mantém assim) uma média de quase 60 mil habitantes. Janis Joplin, se você não lembra, foi uma das maiores artistas que já existiu, dona de uma voz incomparável, de uma potência e emoção inigualáveis, e símbolo de toda uma geração. Faz parte daquele mórbido “grupo dos 27”: grandes talentos que morreram com 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2024
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