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JULIANO CORRÊA PSICANALISTA


Noites, estradas e estrelas
Vou falar apoiado em um tema que não me convém: a pintura. Eu não entendo nada de artes plásticas e nunca tive interesse nelas. É claro que existem exceções: há obras que eu gosto, acho belas, ainda que não me causem a afetação emocional que, por exemplo, uma música ou um livro podem me causar. Dentre essas poucas exceções, está Vincent van Gogh. Seus quadros produzem algo forte em mim (como não tenho conhecimento técnico, não sei dizer o que é, mas talvez não precise, pois n

Juliano Corrêa
29 de mai.


Eu te escuto...
Outro capítulo do meu histórico de faísca atrasada. Eu já falei que eu sou um tipo péssimo para debates, pois tenho uma impossibilidade de pensar respostas na hora.[1] Em cima dessa minha dificuldade, vou desenvolver alguns pensamentos que vêm disso. Eu odeio vários tipos de pessoas. Um desses tipos, provavelmente por causa dessa minha lentidão, são aquelas pessoas que exigem sempre um posicionamento sobre seja lá o que for que estiverem falando. Algumas vezes, é claro, eu t

Juliano Corrêa
24 de abr.


Dez anos de falta...... (A estranha "passagem" do tempo)
Neste ano, comemoramos dez anos da morte de David Bowie. Ele morreu dia 10 de janeiro do abençoado ano de 2016. Como a notícia do seu falecimento foi de manhã, eu estava dormindo, pois estava de férias (mesmo sem férias, se eu não tiver um compromisso, estarei dormindo!). Quando acordei, algumas pessoas haviam me enviado mensagens cuidadosas, perguntando se eu “já tinha visto”. Assim que li essas mensagens, pensei: “puta merda”. Porque ninguém vai te escrever esse tipo de co

Juliano Corrêa
6 de mar.


O instante eterno
Alice perguntou para o coelho: “quanto tempo dura o eterno”; o coelho respondeu: “às vezes, apenas um segundo”. Há uma grande chance de você já ter lido (e se encantado, assim como eu!) essa passagem de “Alice no País das Maravilhas”. Eu não quero ser um destruidor de ilusões, mas esse diálogo simplesmente... nunca aconteceu. Lewis Carroll nunca escreveu esse trecho em nenhum dos dois livros da Alice (se existe em algum filme mais recente, eu não sei, mas aí tu estás exigindo

Juliano Corrêa
19 de dez. de 2025


Invisíveis
Eu estava na metade do curso de psicologia quando iniciei meu primeiro tratamento psicológico. Digo “o primeiro” porque outros vieram depois: Freud mesmo dizia que todo o psicanalista deveria, de tempos em tempos, retornar ao tratamento para uma “reciclagem”. Mas este que estou me referindo foi com uma psicóloga que não era psicanalista. Até hoje não sei o que ela era (se “era” alguma coisa nesse sentido de linha teórica). Engraçado que, mesmo na época (estudantes de psicolog

Juliano Corrêa
22 de nov. de 2025


Paris... mas no Texas
Eu sou faísca atrasada para muitas coisas; para quase tudo, na verdade. Se eu estiver tendo um debate com você, pode ter certeza que daqui a três dias (para ser muito generoso comigo mesmo) eu terei um ótimo argumento! É um inferno não ter a presença de espírito para reagir no instante exato. Então, se você já teve alguma discussão comigo, não retome o tema anos depois, pois aí se prepare, você vai ver só! Consequentemente, há muitas obras clássicas que eu não vi, não li, nã

Juliano Corrêa
31 de out. de 2025


O monumento musical
Crianças, pequena lição de história. Antes, pequeno parêntesis: você sabe né que quando alguém chama pessoas adultas de “crianças”, é porque é velho e quer inverter o jogo! Eu sou velho, e não estou querendo ignorar isso, é só brincadeira. Mas a lição é verdadeira e válida! É a seguinte: quando gente da minha geração tinha seus vintes anos, pesquisávamos, obviamente, para fazer os trabalhos acadêmicos (e gente mais velha ainda fazia essas pesquisas para teses de doutorado! S

Juliano Corrêa
17 de out. de 2025


Gente ruim (o golpe)
Gente ruim e, por consequência, golpes sempre existiram. Assim como as coisas boas, vão evoluindo conforme novas ferramentas vão surgindo. Hoje em dia, há uma profusão de golpes virtuais obviamente; também são abundantes os avisos para nos protegermos. Algumas artimanhas são muito bem elaboradas mesmo; outras, nem tanto. São com essas últimas que eu sempre me irritei. Até recentemente, quando uma notícia de jornal fez eu perceber algo claro (e que eu já sabia). Uma vez eu vi

Juliano Corrêa
3 de out. de 2025


Os limites do corpo
“Amadeus”, do genial cineasta Milos Forman, é um dos melhores filmes que eu vi na vida. Conta a história de Mozart e a relação/rivalidade que Antonio Salieri tinha com ele. Salieri era o compositor da corte de José II, arquiduque da Áustria, foi bem famoso em sua época. Parecia satisfeito com a sua vida até o aparecimento de Mozart gerar uma inveja doentia que conduz os acontecimentos do filme. Essa história é fictícia: deriva das peças de teatro de Alexander Pushkin e de Pet

Juliano Corrêa
26 de set. de 2025


Eternamente responsável
Há tempos eu penso em escrever uma crônica sobre O Pequeno Príncipe; esta provavelmente não será a única. Em várias outras, como em uma recente,[1] eu acabo escorregando, às vezes sem querer mesmo, em outras, propositalmente, para alguma metáfora que me leva ao livro. Ele é de uma riqueza extraordinária, sem fim. Eu já falei que costumava fazer as alunas lerem livros para fazerem trabalho nas aulas de psicanálise (e de ética também!). Era assim: ler o livro (obviamente) e es

Juliano Corrêa
12 de jul. de 2025


Protocolo Jordan
Você conhece (ou, ao menos, já ouviu falar de!), com certeza, Michael Jordan. Não precisa gostar de basquete. Assim como não precisa acompanhar futebol para saber quem foi Pelé, curtir boxe para saber de Muhammad Ali, entender de física para já ter ouvido falar de Albert Einstein. Jordan está nesse patamar: pessoas que, devido aos seus dons e feitos especiais, transcendem sua área de atuação. Michael Jordan está na história como um dos maiores esportistas de todos os tempos,

Juliano Corrêa
6 de jun. de 2025


Verdade sem amor
Cazuza cantava: “mentiras sinceras me interessam”. Também interessavam “raspas e restos”, “migalhas dormidas (do teu pão)”, “pequenas porções de ilusão”. Claro, fazia parte do contexto da clássica canção (e eu diria também da época) do Barão Vermelho “Maior Abandonado”. Mas eu não estou nem um pouco interessado em mentiras (mesmo as sinceras) agora. Por mais que as mentiras, ainda mais as sinceras, tenham uma vantagem paradoxal: elas não enganam. Como assim? Não são para enga

Juliano Corrêa
24 de jan. de 2025


As quatro notas
Uma vez, estava falando para o meu analista sobre um tipo de encruzilhada que eu me encontrava. Tinha a ver com a produção da minha tese: eu estava meio perdido, sem saber exatamente por onde ir, que tom usar, etc. A sensação era que eu precisava de algo novo que me desse rumo novamente, pois eu me sentia sem nenhum. Então, ele disse mais ou menos assim: “você tem que encontrar as suas quatro notas”. Parece estranho, né? Mas foi uma intervenção muito importante, tinha relação

Juliano Corrêa
24 de set. de 2024


Não era o planejado
The Godfather, “O Poderoso Chefão” para nós, é uma obra-prima do cinema. Dirigido por Francis Ford Coppola, que também assina o roteiro juntamente com Mario Puzo (que escreveu o livro que inspirou o filme, e que também roteirizou os dois primeiros filmes do Super-Homem, ou seja, é o meu herói pessoal!), e a sublime trilha sonora de Nino Rota, além de um elenco recheado de talentos, é uma trilogia de, acho que poderia se dizer, uma tragédia familiar. Claro, essa família é da m

Juliano Corrêa
13 de set. de 2024


O colorido da vida
Eu andei lembrando de algumas coisas que se conectaram. Anos atrás, eu tive a oportunidade de participar da elaboração de um trabalho terrível. O “terrível” aqui tem de ser explicado: ele era ótimo, mas difícil até de ler por causa da extremidade das dores envolvidas (no fim, era mesmo o objetivo inicial da autora!). Era sobre luto, mas um luto diferente, que é a perda de um filho. Mais ainda, era sobre o luto da perda de um filho na qual os próprios pais estavam envolvidos

Juliano Corrêa
7 de set. de 2024


A volta de Janis Joplin
Janis Joplin nasceu e cresceu numa cidadezinha do Texas, nos Estados Unidos, chamada Port Arthur, que tinha (e se mantém assim) uma média de quase 60 mil habitantes. Janis Joplin, se você não lembra, foi uma das maiores artistas que já existiu, dona de uma voz incomparável, de uma potência e emoção inigualáveis, e símbolo de toda uma geração. Faz parte daquele mórbido “grupo dos 27”: grandes talentos que morreram com 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt

Juliano Corrêa
2 de ago. de 2024


Interpretação selvagem
Freud escreveu, em 1910, um pequeno texto muito importante intitulado “Psicanálise selvagem”. Não é dos escritos mais famosos e citados do pai da psicanálise, mas eu sempre o considerei muito significativo: trata de técnica, ética e política. E mais ainda nos dias de hoje, onde basicamente qualquer um se denomina “psicanalista” e oferece “psicanálise” (as aspas são muito propositais). Pois Freud fala, justamente, dos charlatões (ou seja, desde sempre eles já existiam!), pess

Juliano Corrêa
21 de jun. de 2024


A felicidade
Quando eu dava aula, tinha uma mania que aplicava em quase todas as provas. Essa coisa das avaliações era o pior para mim: elaborar algo para “provar” o conhecimento da aluna objetivamente de algo como a psicanálise, que se apreende via inconsciente! Uma insanidade. Mas eu era obrigado. Então, eu tentava fazer algumas coisas diferentes, como uma questão extra para analisarem a epígrafe da prova (eu sempre colocava epígrafe). Outra coisa que comecei a fazer com frequência a pa

Juliano Corrêa
31 de mai. de 2024


A prótese
Você sabe o que é uma prótese, né? Colando do Wikipedia, vem do grego antigo próthesis (professor Cláudio Moreno, com quem tive aula de português no cursinho pré-vestibular, poderia dar grande ajuda aqui), que significa “adição”, “aplicação”, “acessório”. É um algo artificial que visa suprir necessidades e funções dos indivíduos, tanto internas como externas. Há uma diferença entre prótese e implante: a prótese substitui uma parte do organismo; já o implante, acrescenta volum

Juliano Corrêa
24 de mai. de 2024


As roubadas
Não faz muito tempo, eu discuti com uma pessoa muito especial sobre as roubadas que nos metemos na vida. Fizemos uma troca de experiências: ela me contando as suas; eu, as minhas. Isso me fez pensar, como sempre me faz com ela, e me trouxe lembranças. Eu estava na primeira metade da faculdade de psicologia quando uma professora, numa aula de psicanálise, começou a dizer sobre situações terríveis nas quais as pessoas se metiam propositalmente, mas de forma inconsciente, claro

Juliano Corrêa
22 de mar. de 2024
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